Guerra entre Sonangol e Isabel dos Santos pode ferir empresas

Troca de palavras entre empresária e petrolífera sobe de tom. Analistas afirmam que ações de empresas como Galp ou BCP podem vir a sofrer consequências. Isabel dos Santos deitou petróleo na fogueira.

A empresária angolana respondeu ontem às acusações da Sonangol, e não poupou nos adjetivos. Em entrevista ao Jornal de Negócios, a filha do ex-presidente angolano diz que Carlos Saturnino, atual presidente da Sonangol, “é um mentiroso”. Em causa estão 38 milhões de euros.

Um valor que, segundo a Sonangol, Isabel dos Santos terá transferido de forma irregular, quando já não liderava a petrolífera angolana. A denúncia é, segundo a empresária, “completamente infundada”.

Mas deu origem a um inquérito na Procuradoria-Geral da República de Angola. Este foi só mais um capítulo na troca de acusações entre a Sonangol e a sua ex-presidente. Em fevereiro, ao Expresso, a petrolífera afirmava não ter recebido 438 milhões de euros de dividendos relativos à Galp. E as suspeitas recaíam novamente sobre Isabel dos Santos, que não tardou a refutá-lo.

Ao Negócios, mostrou dois documentos que comprovam as transferências dos dividendos. No meio deste fogo cruzado estão as empresas portuguesas que contam com capital angolano na sua estrutura acionista, como a Galp ou o BCP. Os analistas ouvidos pelo DN/Dinheiro Vivo acreditam que a “guerra” pode vir a ter algum impacto nas cotações das empresas em bolsa.

“Estas e outras notícias que possam surgir envolvendo os acionistas do BCP e da Galp Energia acabam sempre por ter alguma relevância, não só porque no longo prazo é importante a situação financeira e a estabilidade corporativa que apresentam os acionistas de uma qualquer cotada como eventuais decisões, ou riscos, de redução nas participações que apresentam podem ter um impacto negativo, pelo menos no curto prazo, nas cotações dos respetivos títulos na bolsa nacional”, sublinham os analistas da Patris Investimentos.

Os títulos da Galp seguem para já imunes ao falatório em torno das possíveis alterações na estrutura acionista. Subiram perto de 1% na última sessão. Na semana passada, Isabel dos Santos desmentiu que a Amorim Energia, onde a empresária detém uma parte através da Esperaza Holding, estaria a pensar desfazer-se de uma parte das ações da Galp.

Já as ações do BCP, onde a Sonangol detém 15%, fecharam ontem a cair 3,24%, mas, segundo os analistas, as perdas ficaram a dever-se ao efeito de contágio que o banco sofreu com os resultados das eleições em Itália. A Sonangol também sublinhou na semana passada que as participações na Galp e no BCP são investimentos estratégicos.

“De qualquer forma, e mesmo reconhecendo a importância que as alterações, ou possíveis alterações, acionistas muitas vezes assumem, mais importante para o mercado e para a cotação do BCP e da Galp Energia, e onde a atenção dos investidores irá provavelmente continuar, será mais na evolução operacional de ambas as empresas, evolução da rentabilidade dos negócios, perspetivas de crescimento e políticas de dividendos”, conclui a equipa de analistas da Patris. Dinheiro Vivo

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Last modified on Terça, 06 Março 2018 16:58
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