Vida cada vez mais difícil para os angolanos

Desvalorização do kwanza encarece os preços da cesta básica e deprime o poder de compra das famílias.

Anunciada em Janeiro passado, no quadro do Programa de Estabilização Macroeconómica, a desvalorização da moeda nacional, Kwanza, alterou os preços dos principais produtos básicos nas grandes superfícies comerciais e mercados informais, que registaram um aumento considerável nas últimas semanas, constatou o Correio Angolense.

Assim sendo, aumentou também a insatisfação entre os cidadãos, que pensam que a medida tomada pelo Governo só veio reduzir ainda mais o já diminuto poder de compra das famílias angolanas.

Numa ronda efectuada nalguns mercados informais e hipermercados, este jornal apurou, de vendedoras e agentes económicos, que os preços da cesta básica sofreram uma significativa alteração na sua tabela habitual. 

Edvânia Botelho, 38 anos, moradora do Distrito do Rangel, ela que afirma ser uma consumidora dos produtos vendidos na Praça do Tunga Ngó, diz estar surpresa com a mudança abrupta dos preços de alguns dos produtos mais consumidos pela população.

“Aqui no mercado do Tunga Ngó, o quilo de arroz que antes comprávamos a 120 kwanzas passou para 200, já o pacote de massa que anteriormente custava 100 kwanzas, hoje é comprado a 150, e o quilo de açúcar passou de 100 para 250 kwanzas”, explicou Edvânia Botelho que lamenta o facto.

O preço da botija de gás butano, varia entre 1.400 a 1.500 kwanzas no mercado do Asa Branca, ao Cazenga, contra os 1000 kwanzas praticados anteriormente, esclarece por sua vez a cidadã Margarida da Costa.

Dona Guida, que desconhece as razões da subida dos preços dos produtos básicos, afirma que há coisa de mês e meio o preço do gás não conhecia uma oscilação tão acentuada como agora.

À semelhança dos mercados do Asa Branca e Tunga Ngó, na praça da Sanzala, em Viana, um litro de óleo vegetal, que custava 250 kwanzas passou a ser comercializado a 450 kwanzas e o quilo de feijão subiu de 200 para 450 kwanzas, deu a conhecer Marta Caculo Tomás que faz a vida como comerciante de produtos básicos naquele mercado há oito anos.

Marta Caculo sugere que as autoridades fiscalizem os preços dos produtos da cesta básica nas principais superfícies comerciais (lojas e supermercados), que na sua opinião também constituem fontes para a especulação dos preços.

No Alimenta Angola de Viana, por exemplo, o saco de fuba de milho amarela está a ser comercializado por 4.400 kwanzas contra os 3.100 anteriores; a caixa de massa espaguete passou de 1.300 para 2.100 kwanzas; uma caixa de coxas de frango de dez quilogramas saltou dos 3.600 para 5.900 kwanzas actuais.

Estes são os preços praticados num dos centros comercais mais procurados pela população do bairro da Estalagem, dos mais densos aglomerados populacionais da cidade de Luanda.

Salim Hamed, um dos responsáveis do Alimenta Angola, justifica a subida dos preços com a crise dos cambiais no país, pois segundo ele o stock de mercadorias daquela híper-loja depende das importações.

Na Angomart do Cazenga, o preço de uma caixa de massa alimentar vai dos 2.300 kwanzas, enquanto um saco de arroz de 25 quilos custa agora 5000 kwanzas contra 3700 kwanzas anteriormente. O saco de açúcar de 50 quilos registou uma subida de 6.900 para 8.500 kwanzas e o saco de fuba de milho amarela de 25 quilos passou de 3.400 apara 3.900  kwanzas.

Para o director comercial, Paquete Moisés, também considera que o grande problema está na redução das importações devido a escassez do dólar nos últimos meses e avança que esta situação não tem apenas irritado os consumidores,mas também os empreendedores.

Economista antevê dias piores

“A depreciação do kwanza surgiu em mau momento, porque um país que vive de importações não se pode dar ao luxo de deixar o mercado determinar o câmbio da moeda nacional, pois o que vai acontecer é que os agentes económicos vão reduzir as importações, uma vez que a aquisição de moeda estrangeira está difícil”, reprovou o economista Bernardo Vaz.

O economista antevê que a medida agravará a situação de muitas famílias que já notam uma certa redução no seu poder de compra desde que a crise economica entrou no país. Daí que apele para uma maior intervenção do Estado nas grandes superfícies comerciais para que não haja maior especulação de preços no mercado.

Outrossim, segundo o perito, o problema tem a ver com fraco investimento que se faz no sector da agricultura. ”Angola tem tudo para consumir o que é nacional, mas por ser uma área pouco atractiva para os empresários, a população continua a sobreviver de bens alimentar importados, enquanto uns poucos recorrem à agricultura familiar”, considerou Bernardo Vaz. CA

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