Mugabe chorou quando aceitou deixar o poder no Zimbábue e receberá US$ 10 milhões pela sua renúncia, diz jornal

O ex-presidente do Zimbábue Robert Mugabe chorou e lamentou a "traição" quando concordou em deixar o cargo na semana passada, pressionado por militares e seu partido depois de 37 anos no poder, informou o jornal Standard na edição deste domingo.

O presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, antigo partidário de Mugabe, tomou posse na sexta-feira e o foco agora está voltado para as nomeações que fará, se escolherá um governo com base ampla ou pessoas ligadas a Mugabe.

O jornal Standard citou fontes próximas a Mugabe, que informaram que o ex-presidente, católico, segurava um rosário no momento em que anunciou a aliados próximos e a um grupo de negociadores em sua mansão em Harare que renunciaria.

"Ele olhou para baixo e disse 'as pessoas são camaleões'", segundo uma das fontes citadas pelo jornal.

O jornal estatal Sunday Mail citou o padre Fidelis Mukonori, um jesuíta próximo a Mugabe que mediou a renúncia com os militares, dizendo que a cara do ex-presidente "apenas se iluminou" depois que ele assinou a carta de renúncia.

"Portanto, não estamos falando de um homem ressentido", disse Mukonori ao Sunday Mail.

Ex-presidente do Zimbábue receberá US$ 10 milhões de indenização pela sua renúncia

Segundo o acordo de renúncia à presidência, Robert Mugabe, que governou o país 37 anos, receberá dez milhões de dólares (R$ 32 milhões) de indenização.

Metade dessa soma será paga ao ex-líder de forma imediata, e a restante em forma de subvenção mensal de 150 mil dólares (R$ 485 mil) durante toda a vida, informou o jornal The Guardian, citando fontes no partido governante do país.

De acordo com a publicação, se a esposa do ex-presidente, Grace Mugabe, sobreviver seu marido, de 93 anos, ela receberá metade do montante destinado a Robert Mugabe.

Além disso, de acordo com os termos da renúncia, estabelecidos no início da semana, o ex-presidente obterá imunidade total para ele e a sua esposa, bem como a garantia de que conservará suas propriedades.

Na terça-feira passada, o Parlamento do Zimbábue decidiu prosseguir o processo de impeachment contra o presidente e lhe ordenou abandonar o cargo nas 24 horas seguintes. Enquanto a discussão sobre a resolução estava em processo, Mugabe decidiu se demitir, anunciando-o em uma carta enviada aos legisladores. "Minha decisão de renunciar é voluntária", afirmou ele.

A crise política no Zimbábue se desencadeou no início de novembro, quando Mugabe demitiu o então vice-presidente Mnangagwa que, como muitos pensavam, devia ser sucessor de Mugabe e era apoiado pelos militares. Isso levou o exército a enviar tropas para Harare e à detenção domiciliar de Mugabe.

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Last modified on Domingo, 26 Novembro 2017 14:05
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