Sonangol retorna às mãos dos angolanos

Isabel do Santos, a “Princesa”, forçada a sair da petrolífera pela porta dos fundos... Caiu também outro bastião do “eduardismo” na Comunicação Social, a Semba Comunicação, que vinha manietando a TPA

Nunca se viu nada semelhante. A sociedade respirou de alívio na tarde desta quarta-feira, 15, após os noticiários terem dado conta de mais um decreto presidencial, na verdade o mais aguardado, com a exoneração de todo o Conselho de Administração da Sonangol, tendo Isabel dos Santos à cabeça.

Em diversas zonas de Luanda foram assinaladas manifestações efusivas por parte da população, num ambiente próprio de revoluções. As redes sociais rapidamente foram tomadas por grandes parangonas mostrando um “uff” de alívio e contentamento por parte das pessoas. E nos candongueiros, igualmente, não se falava de outro assunto.

“Caiu a mãe grande”, escreveu um internauta no Facebook. E outro, desde Lisboa, disse: “Aqui na Tuga a comunidade angolana está a festejar a queda da vendedora de ovos, isto é, da rainha da Sonangol”.

Mas foi na própria sede da Sonangol, na baixa de Luanda, que o regozijo foi mais significativo. Foi como se tivesse chegado ao fim um verdadeiro período de cativeiro. Conta quem viu que houve festa rija entre os funcionários que se abraçavam com emoção incontida nos escritórios e pelos corredores da empresa. Era a libertação.

Já ninguém trabalhou depois do noticiário dando conta da ansiada liberdade. Todo mundo saiu do edifício e invadiu os bares das redondezas. Estes facturaram a sério. E houve quem sugerisse uma ponte para prosseguir a celebração. As subsidiárias da petrolífera também comemoraram a valer. Quanto aos expatriados lusos, o grosso já vai arrumando as bikuatas.

Desabafo de um internauta, a partir de Lisboa: "Aqui na Tuga a comunidade angolana está a festejar a queda da vendedora de ovos, isto é, da rainha da Sonangol"

Sem que isso tenha nexo algum de causalidade com a onda de exonerações, mas a verdade é que foi notada com inusitada curiosidade o facto de nos últimos dias o edifício envidraçado que alberga a sede do Banco Kwanza Invest, propriedade de José Filomeno dos Santos “Zenu”, filho do antigo Presidente da República, apresentar-se com uma parte da fachada danificada. Zenu está à frente do Fundo Soberano Angolano, instituição que tem estado igualmente debaixo de intensa controvérsia nos últimos dias, com muitos segmentos da sociedade a exigirem também a sua exoneração.

Aos comandos da Sonangol, em substituição de Isabel dos Santos, passou Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira, que mal deu para aquecer os bancos no Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo, no qual era o secretário de Estado dos Petróleos. Para o ministério, em substituição de Carlos Saturnino, foi nomeado Paulino Fernando de Carvalho Jerónimo.

No reinado da “Princesa Isabel”, Carlos Saturnino e Paulino Jerónimo estiveram entre os que mais agravos sofreram, ambos exonerados de forma humilhante – o primeiro do cargo de director da subsidiária da Sonangol para a área de pesquisa e produção, e o segundo das funções de administrador executivo.

Esta tarde também assistiu-se à queda do bastião do eduardismo que havia sido montado pelo clã Dos Santos na Televisão Pública de Angola (TPA), por via de um decreto que põe termo ao vínculo que permitiu a Semba Comunicação gerir, com danos para a matriz social e cultural dos angolanos, o Canal 2 da principal estação televisiva do país.CA

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