Agrava-se conflito no seio do MPLA entre “eduardistas” e apoiantes de João Lourenço

A política angolana continua a ferro e fogo. O confronto entre um antes e um pós José Eduardo dos Santos pode fazer abalos num partido que passou a ser bicéfalo

É cada vez maior o mau estar no seio do MPLA entre os chamados “eduardistas” e os que apoiam as novas políticas de João Lourenço, atual presidente da República. O debate centra-se na necessidade de acabar com a “bicefalía” do partido, que continua a ser presidido por José Eduardo dos Santos, estando a vice-presidência a cargo de João Lourenço.

O Novo Jornal aponta mesmo que poderá haver muito em breve “alteração a nível do secretariado do bureau político do MPLA”, estando Angola “prestes a testemunhar um momento impar na política nacional com repercussões” impensáveis. As mudanças pretenderão estabelecer um equilíbrio entre duas fações, mas reações mais duras poderão surgir dos “eduardistas”.

Depois de um histórico ter pedido a demissão de JES da presidência do partido, a instabilidade e o confronto agravou-se. Antes, Mário Pinto de Andrade, membro do comité central, já tinha dado a entender que as nomerosas exonerações iriam provocar conflitualidade no partido.

João Lourenço ainda não parou a vaga de exonerações que tem caracterizado os primeiros dois meses do seu mandato e tem mesmo contrariado vários decretos assinados por José Eduardo dos Santos poucos dias antes de transferir o poder. Ontem, foi a vez de reduzir o número de vice-governadores das províncias de três para apenas dois, contrariando o estipulado pelo anterior presidente da República.

Também procedeu a mexidas nos tribunais, passando o presidente do Tribunal Supremo, Manuel da Costa Aragão, para presidente do Tribunal Constitucional. E ao dar tomada de posse ao novo Inspetor-Geral da Administração do Estado, comissário Sebastião Domingos Gunza (vindo do Serviço de Investigação Criminal) João Lourenço voltou a falar na necessidade de moralizar a sociedade, com um combate sério a práticas que “lesam o interesse público”, de modo a garantir que a impunidade “tenha os dias contados”.

“No quadro da necessidade de moralização da nossa sociedade, importa que levemos a cabo um combate sério contra certas práticas, levadas a cabo, quer por gestores, quer por funcionários públicos. Praticas que, em princípio, lesam o interesse público, o interesse do Estado, o interesse dos cidadãos que recorrem aos serviços públicos”, apontou João Lourenço. “Acreditamos que, paulatinamente, vamos, passo a passo, caminhar para a redução e posteriormente a eliminação da chamada impunidade.”

O atual Procurador-Geral da República, general João Maria de Sousa, está também em finais de mandato. Algumas noticias chegaram a apontar Marcolino Moco, ex-Primeiro Ministro e crítico de José Eduardo dos Santos, para o cargo, mas este já veio a público dizer que não recebeu qualquer convite. Mas continua a apostar na “coragem” de Lourenço e a justificar todas as suas decisões com a necessidade de “criar um mínimo de governabilidade”, num poder “atrelado aos pilares de uma casa de família”. Referência á forma como os filhos de Eduardos dos Santos dominavam em setores chave da governação.

Entretanto, a página online de Rafael Marques, Maka Angola, veio hoje dar conta que Valter Filipe, o ex-governador do Banco Nacional de Angola – agora substituído por José de Lima Massano – está a ser investigado pela PGR, precisamente por suspeita de corrupção de branqueamento de capitais. VISÃO

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Last modified on Sexta, 24 Novembro 2017 20:08
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