Voz de Angola - UNITA garante que funeral de Jonas Savimbi vai mobilizar "milhares" de angolanos

UNITA garante que funeral de Jonas Savimbi vai mobilizar "milhares" de angolanos

A UNITA, maior partido na oposição angolana, assegurou hoje que as cerimónias fúnebres do seu antigo líder, Jonas Savimbi, vão acontecer este ano, "mobilizando milhares de angolanos", mesmo que sem honras de Estado, como já avisou o Governo.

"Queremos entender as declarações do general [ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente angolano] Pedro Sebastião como uma posição em que tomamos boa nota, mas o importante é que prevaleça a vontade de cooperação manifestada pelo senhor Presidente da República", disse hoje Alcides Sakala, porta-voz da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Em declarações à Lusa, o político do 'Galo Negro' referiu que Jonas Savimbi, morto em combate, em 2002, "não foi uma pessoa qualquer" e que a cerimónia das suas exéquias "vai mobilizar milhares de angolanos que virão de todos os cantos do país".

O partido chegou a criar, em maio de 2014, uma comissão para tratar do processo de exumação dos restos mortais de Jonas Savimbi, que foi sepultado, logo após a morte, no cemitério de Luena, Moxico, e trasladação para o cemitério da família, na aldeia de Lopitanga, município do Andulo, a cerca de 130 quilómetros a norte do Kuito, província do Bié.

"Durante esse período das chuvas [entre agosto e maio] fica, de facto, muito difícil acolher um grande número de pessoas, a localidade e a região não têm capacidades para albergar milhares de pessoas nesse espaço, mas consideramos um passo importante esse processo", indicou.

Para o também deputado da UNITA, o programa das exéquias do líder histórico do partido deve ser feito "num ambiente de serenidade de espírito".

"Para que efetivamente se tenha um programa que esteja à altura e à dimensão do Dr. Savimbi", acrescentou, embora sem avançar datas concretas.

O Governo angolano garantiu na quarta-feira que "estão criadas as condições" para a exumação dos restos mortais do antigo líder da UNITA, mas avisou que o funeral do fundador da maior força da oposição "não terá honras de Estado".

A posição foi transmitida pelo ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente angolano, Pedro Sebastião, que falava aos jornalistas, na quarta-feira, sobre o funeral de Jonas Savimbi.

"Uma vez que o antigo presidente da UNITA não pertencia à família governamental quando faleceu", justificou o governante.

Pedro Sebastião frisou que não existem razões para se fazer paralelismos com o recente (2017) funeral de Estado do general Arlindo Chenda Pena "Ben-Ben", antigo chefe-adjunto do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA) e ex-comandante do antigo exército da UNITA, cujos restos mortais permaneciam desde 1998, na África do Sul.

Alcides Sakala, que se recusou a comentar as declarações de Pedro Sebastião, argumentou que o seu partido "tomou boa nota" desta posição, acrescentando que o "mais importante é que prevalece o espírito" de trabalhar em conjunto, no âmbito das duas comissões criadas, entre a UNITA e o Governo angolano.

"Que têm vindo a aproximar pontos de vista para a definição de um programa de consenso que será apresentado nas próximas semanas", salientou.

Hoje, em comunicado, a direção da UNITA anunciou que 2019 será o "ano da consagração da memória" do líder histórico e fundador Jonas Savimbi, decisão tomada na primeira reunião deste ano do secretariado executivo do Comité Permanente do partido.

Sakala sublinhou que o ano de consagração à memória de Jonas Savimbi surge porque "serão realizadas as suas exéquias", sendo "também uma forma de reafirmar a importância das suas ideias".

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