Numa comunicação dirigida aos militantes, amigos e simpatizantes do MPLA, divulgada após a entrega da candidatura junto da Subcomissão de Candidaturas do IX Congresso Ordinário do partido, Higino Carneiro agradeceu o apoio recebido ao longo do processo de recolha de subscrições e classificou esta etapa como um momento de elevado significado político.
O candidato revelou ter reunido mais de 19 mil fichas de subscrição, um número muito superior às cinco mil exigidas pelos estatutos do MPLA para a formalização da candidatura, considerando que este resultado representa uma demonstração da participação activa dos militantes e da vitalidade democrática do partido.
Higino Carneiro aproveitou a ocasião para reconhecer o empenho dos apoiantes que participaram na recolha de assinaturas, afirmando que muitos enfrentaram dificuldades, incompreensões e pressões durante o processo.
"A todos deixo uma palavra especial de apreço, reconhecimento e respeito pela coragem demonstrada", afirmou.
Sem mencionar nomes, o general dirigiu uma mensagem clara aos militantes, defendendo que ninguém deve ceder a actos de intimidação ou constrangimento no exercício dos seus direitos políticos dentro da organização.
"Nenhum militante está acima do Partido. Nenhum dirigente está acima dos Estatutos. Nenhuma função confere o direito de limitar a liberdade de participação política dos militantes", sublinhou.
No comunicado, o pré-candidato reiterou que a verdadeira decisão caberá aos delegados do IX Congresso Ordinário do MPLA, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro, aos quais competirá escolher, através de voto, o próximo presidente da organização.
Higino Carneiro manifestou igualmente confiança de que o processo de validação das candidaturas será conduzido com imparcialidade, rigor e respeito pelas normas internas do partido, aguardando serenamente a apreciação da sua candidatura pelos órgãos competentes.
O general defendeu ainda que todas as candidaturas que preencham os requisitos estatutários devem ser admitidas ao congresso, sustentando que o pluralismo fortalece o MPLA e reforça a legitimidade das decisões internas.
"Sempre defendi que a democracia interna fortalece o Partido. Sempre acreditei que a participação amplia a legitimidade das decisões", escreveu.
Na mesma mensagem, o pré-candidato destacou também o contributo dos militantes da diáspora para o processo de recolha de subscrições e anunciou que pretende deslocar-se às várias províncias do país para agradecer pessoalmente o apoio recebido durante esta fase da candidatura.
A formalização da candidatura de Higino Carneiro marca um novo momento na corrida à liderança do MPLA, que já conta com a recandidatura do actual presidente do partido, João Lourenço, e decorre num contexto de crescente debate sobre a democracia interna e o futuro da organização que governa Angola desde a independência.