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Adalberto acusa autoridades de preparar repressão no Uíge e alerta para futuras campanhas eleitorais

Post by: 12 August, 2026
Adalberto acusa autoridades de preparar repressão no Uíge e alerta para futuras campanhas eleitorais

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, defendeu a responsabilização dos envolvidos nos incidentes registados no último fim-de-semana na província do Uíge, que provocaram pelo menos 31 feridos, dez dos quais em estado grave.

Para o líder da UNITA, os acontecimentos não podem ser classificados como confrontos. «No Uíge não houve confrontos», afirmou Adalberto Costa Júnior, considerando que não existe qualquer justificação para a actuação que descreveu como uma utilização excessiva e desnecessária da força. «No Uíge não há formas de justificar, a nenhum nível, aquele comportamento, aquela força excessiva, completamente desnecessária, e aquela repressão violenta que nós assistimos e que é preciso responsabilizar», declarou.

Adalberto Costa Júnior alertou ainda para o risco de episódios desta natureza serem utilizados como uma espécie de experiência para uma futura campanha eleitoral. «Portanto, não seja esta uma experiência para levar para uma campanha eleitoral, que estejam a fazer este tipo de experimentação», afirmou, defendendo que a sociedade angolana deve acompanhar a situação e exigir responsabilidades.

Segundo o presidente da UNITA, «a sociedade angolana no seu todo, as entidades, todas elas transversais, devem preocupar-se, devem exigir responsabilização», uma vez que, sublinhou, «a todos nós nos interessa um país em paz, em estabilidade, no pleno respeito dos direitos políticos e cívicos de toda a gente».

O líder da UNITA considerou positivo o encontro realizado para analisar os acontecimentos, afirmando que o partido ficou satisfeito depois de tomar conhecimento de todos os factos relacionados com os incidentes. Adalberto Costa Júnior sublinhou, contudo, que a condenação dos acontecimentos não pode limitar-se a declarações políticas. «Já nos condenou estes incidentes, mas não pode ficar por aqui», afirmou, defendendo que a condenação deve ser acompanhada de medidas concretas para apurar responsabilidades.

Acusa governador de favorecer o MPLA

Adalberto Costa Júnior acusou igualmente o governador provincial do Uíge de limitar a actividade política dos partidos da oposição, ao mesmo tempo que, segundo afirmou, o partido no poder manteve a sua actividade política na província. «Os prevaricadores não podem pensar que têm uma autoestrada aberta para a prática voluntária da violência. Não faz sentido», declarou.

O presidente da UNITA criticou, em particular, a acumulação das funções de governador provincial e de primeiro-secretário do partido no poder. «Um governador da província não pode pensar que pode ser simultaneamente primeiro-secretário e governador provincial, limitando o exercício político aos partidos da oposição, mas permitindo a eles próprios o exercício político nas circunstâncias em que os outros são proibidos», afirmou.

Segundo Adalberto Costa Júnior, a UNITA constatou uma diferença de tratamento entre a oposição e o partido no poder durante a sua deslocação à província. «O que nós constatámos é que o partido do regime teve as actividades normais», afirmou, acrescentando que «a cidade estava engalanada com bandeiras, todos os municípios engalanados e nós sabemos que isto é proibido».

O líder da UNITA afirmou ainda que foi encontrado material de propaganda política à entrada e à saída dos municípios. «O material de propaganda que nós encontramos à entrada dos municípios todos, encontramos também à saída», disse.

Para Adalberto Costa Júnior, estes elementos colocam em causa a explicação apresentada para a realização de actividades políticas na província. «Portanto, a explicação de que realizaram actos municipais está completamente desmontada», afirmou.

O presidente da UNITA argumentou que é proibida a colocação de propaganda fixa e permanente e sustentou que foi precisamente esse tipo de material que a comitiva encontrou tanto na cidade como fora dela. «Como todos sabemos, é proibido fazer a propaganda fixa, permanente, que nós encontramos tanto na cidade como fora dela», declarou.

Na leitura de Adalberto Costa Júnior, os elementos encontrados permitem concluir que os acontecimentos tiveram uma preparação prévia. «Portanto, permite-nos perceber que o que aconteceu no Uíge foi um acto premeditado e naturalmente tem que ser responsabilizado», afirmou.

Na sequência dos incidentes, vários partidos políticos manifestaram solidariedade para com a UNITA e condenaram os acontecimentos.

O PRA-JA Servir Angola, liderado por Abel Chivukuvuku, declarou, em comunicado, a sua "total solidariedade à UNITA, aos seus dirigentes, militantes, simpatizantes e a todos os cidadãos afetados pelos acontecimentos registados no Uíge".

Também o Bloco Democrático condenou os episódios de violência e exigiu uma investigação independente, bem como a responsabilização do Estado. Num comunicado, o partido apelou ao respeito pelas liberdades fundamentais e condenou quaisquer ações destinadas a limitar a atuação da oposição e da sociedade civil.

Por sua vez, a FNLA, através do membro do Comité Central Ndonda Nzinga, apelou à Polícia Nacional para que se abstenha de práticas que promovam a intolerância política, defendendo a preservação da paz, da tolerância e dos valores democráticos. "Estes atos já não podem ter lugar no nosso país. A FNLA defende a unidade nacional, depois de vários anos de conflito armado que destruiu Angola", afirmou.

O Partido Liberal também lamentou os acontecimentos, sustentando que a consolidação da democracia não pode assentar em confrontos, intolerância ou hostilidade entre cidadãos.

Os incidentes ocorreram durante a deslocação da direção da UNITA ao Uíge e resultaram em pelo menos 31 feridos, entre os quais dez em estado grave, segundo dados avançados pelo partido. A UNITA responsabiliza as forças de segurança pela violência, enquanto aguarda que as autoridades competentes apurem as circunstâncias dos acontecimentos e eventuais responsabilidades.

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