Segundo um comunicado da Administração Municipal de Nambuangongo foram retirados corpos das 28 vítimas das matas do Missaxi, na Comuna de Canacassala, após o desabamento de uma mina artesanal ilegal de ouro.
Quatro pessoas foram retiradas com vida e as operações de resgate prosseguem para localizar mais vítimas soterradas.
Segundo relatos, dezenas de jovens garimpavam no local quando a terra cedeu.
A administração municipal apresentou condolências às famílias e abriu um inquérito para apurar os factos, alertando para os riscos da exploração ilegal de ouro.
Também o Secretariado da Comissão Executiva do Comité Provincial do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) no Bengo classificou o incidente como "um sério alerta à população sobre os perigos e consequências da exploração ilegal dos recursos minerais", que "coloca em risco a vida humana, compromete a segurança das comunidades e prejudica o desenvolvimento sustentável" do país.
Expressando pêsames e solidariedade às famílias enlutadas, amigos, vizinhos das vítimas, o comité provincial do MPLA (partido no poder) apelando ainda à população para se abster de práticas ilegais e denunciar atos ligados à exploração clandestina de recursos minerais, "a fim de evitar que tragédias semelhantes voltem a ocorrer"
Também o Grupo Parlamentar da UNITA (oposição angolana) manifestou "profunda consternação" e instou as autoridades a prestarem assistência às famílias, pedindo que as causas do envolvimento de dezenas de jovens no garimpo artesanal sirvam "para a correção e implementação de políticas públicas assertivas e inclusivas".
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, foi mais longe nas críticas, afirmando que a tragédia é "a consequência trágica e anunciada de um sistema que falha redondamente em proteger os seus cidadãos".
Costa Júnior alegou que "as autoridades locais foram reiteradamente alertadas para os riscos desta atividade ilegal" e que "a progressão do garimpo era do seu conhecimento", concluindo que "não houve intervenção para proteger vidas".
As autoridades municipais e provinciais estão a mobilizar-se para apoiar as famílias das vítimas, nomeadamente para a realização dos funerais.





