Esta subida insere-se na política contínua do Governo angolano de retirada gradual dos subsídios aos combustíveis. O Executivo justifica a medida com o elevado consumo de verbas do Orçamento do Estado, defendendo que estes montantes seriam mais bem canalizados para projetos sociais e de infraestruturas essenciais.
O peso dos subsídios nas contas públicas
Em abril deste ano, o Executivo angolano estimou que as receitas do país deverão crescer 3,2 biliões de kwanzas, impulsionadas pela subida do preço do barril de petróleo no mercado internacional. No entanto, o próprio Governo reconheceu que uma fatia substancial deste encaixe financeiro extraordinário acabará por ser consumida pelo remanescente dos subsídios aos combustíveis, limitando a margem de manobra macroeconómica.
O fantasma do caos de julho de 2025
A decisão de voltar a encarecer os combustíveis surge num ambiente de compreensível apreensão, dado o histórico recente de contestação social. Em julho de 2025, na sequência de um aumento anterior, a cidade de Luanda mergulhou num cenário de elevada tensão e caos urbano.
Balanço dos distúrbios de julho de 2025:
- Vítimas mortais: 22 mortos registados.
- Detenções: Mais de 1200 cidadãos detidos pelas forças da ordem.
- Ocorrências: Barricadas, pneus a arder, tiroteios, apedrejamento de autocarros, pilhagens de estabelecimentos comerciais e confrontos diretos com a polícia em vários pontos da capital.
Paralisação dos táxis foi o rastilho
Na altura, a gota de água que fez transbordar o descontentamento popular foi a paralisação dos serviços de táxi (vulgo "candongueiros"), convocada para os dias 28, 29 e 30 de julho de 2025 por várias associações e cooperativas do setor. Sob o lema "Fica em Casa", o protesto visava forçar o Executivo a negociar soluções para uma atividade que a classe considera "insustentável".
Além do custo dos combustíveis, os profissionais do setor exigiam — e continuam a exigir — a definição de paragens fixas para as viaturas e a criação de uma carteira profissional para regulamentar o setor. Com este novo agravamento no preço do gasóleo, o país acompanha com expectativa a reação dos sindicatos e da sociedade civil.