Filas nos bancos aumentam à medida que persistem as falhas nas comunicações eletrónicas. Comerciantes, estudantes e trabalhadores relatam prejuízos, matrículas suspensas e dificuldades em aceder aos seus próprios fundos.
A Unitel anunciou o restabelecimento da cobertura nacional das redes móveis e a recuperação dos serviços de mensagens escritas (SMS), ao quarto dia do ataque cibernético que começou na terça-feira, prometendo a normalização completa nos próximos dias.
Os clientes da Unitel que tenham sido afectados pelo alegado ataque cibernético sofrido pela operadora podem recorrer aos tribunais para exigir indemnizações pelos prejuízos causados. A posição é defendida pelo presidente da Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADIC), Lourenço Texe, que considera que a empresa deve ser integralmente responsabilizada pelas falhas na prestação do serviço.
As ações da Unitel fecharam hoje a cair 12,95% no segundo dia de negociação na bolsa angolana, corrigindo a forte valorização da estreia, numa altura em que ainda recupera do ataque de que foi alvo.
O presidente da Associação Angolana de Internet (AAI) considerou hoje que o incidente com a UNITEL, maior operadora móvel do país, reforçou a ideia de que as telecomunicações e a internet são infraestruturas críticas nacionais.
O Grupo Parlamentar da UNITA anunciou que vai propor à Assembleia Nacional a criação de uma comissão de inquérito e a realização de audições parlamentares para apurar as causas do apagão generalizado que afectou os serviços de telecomunicações da UNITEL nos dias 28 e 29 de Julho.
Apesar da reposição gradual dos serviços após o ataque informático à Unitel, a maioria dos clientes continua sem conseguir fazer chamadas de telemóvel, ainda que já com acesso a dados móveis.
A UNITEL revelou que o ataque cibernético que afectou a sua infraestrutura tecnológica poderá ter sido deliberadamente desencadeado para perturbar o processo de admissão das suas acções à negociação na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). A operadora considera existir uma coincidência temporal entre o incidente e a véspera do início da negociação dos títulos, não excluindo essa possibilidade entre as hipóteses que estão a ser investigadas.
O presidente do IGAPE garantiu hoje aos cerca de 11 mil novos acionistas da Unitel que os titulos que adquiriram não serão revertidos, apesar de continuarem pendentes em tribunal ações judiciais de contestação à nacionalização da operadora.
O economista Carlos Rosado de Carvalho afirmou hoje que o ataque cibernético que atingiu a Unitel vai desvalorizar a operadora e acabará por se refletir nas suas contas, defendendo que devia ter sido suspensa a entrada em bolsa.