Rui Falcão denuncia aquisição de nacionalidade portuguesa para proteger dinheiro roubado

Ele garante não ter feito parte do grupo que terá vilipendiado e roubado ao estado e guardado o dinheiro em território luso

O governador provincial de Benguela denunciou ontem, nesta cidade, que há cidadãos que adquiriram a nacionalidade portuguesa para “guardar dinheiro roubado” de Angola. Falando na abertura da conferência sobre “A Consciência, Nacionalismo, Patriotismo e Identidade Angolana”, que juntou académicos, deputados à Assembleia Nacional e demais interessados, numa iniciativa conjunta entre o Governo Provincial e a Universidade Katyavala Bwila, afirmou que, se por um lado há cidadãos angolanos que adquiriram a nacionalidade portuguesa por imperativo histórico, por outro, existem aqueles que adquiriram, no âmbito dos “vistos gold”, para proteger o que foi roubado no país.

“Quem tivesse um investimento superior a 5 milhões de dólares adquiria a nacionalidade”, frisou, assegurando, entretanto, ter apenas uma nacionalidade e com a “ficha limpa” sem quaisquer antecedentes de corrupção e, por essa razão, desafia a Procuradoria Geral da República a investigá-lo. “Muita gente adquiriu outra nacionalidade com o fito de salvaguardar determinados interesses pessoais”, disse, advertindo para a necessidade de se amar Angola acima de quaisquer interesses.

Discorda de “prender para investigar”

Todavia, Rui Falcão reprova o facto de se prender para investigar, quando, no seu ponto de vista, devia ser o contrário. “Durmo todos os dias tranquilo, a Procuradoria pode vir atrás, não tenho esse problema”, disse. Apesar disso, considera “excelente” o trabalho desenvolvido pela PGR para combater a corrupção no país. Questionado pelo sub-procurador- geral da República da Comarca do Lobito, João da Cruz Rafael, sobre como é que ele enquadraria os cidadãos que durante anos se apropriaram do erário do público, o governador assumiu parte da responsabilidade, por ter “ajudado” a criar uma elite de indivíduos que enriqueceu à custa do Estado. “Vinculei-me a ele com a convicção de que não tínhamos melhor caminho a seguir…foi o que de pior fizemos e temos de fazer esta autocrítica sem medo”, adiantando que se conferiu poder económico a quem já tinha “poder político”.

Valendo-se dessa condição, e por terem tido acessos fáceis às finanças públicas, de acordo com Rui Falcão, muitos cidadãos roubaram, daí ele considerar que Angola tivesse chegado ao estágio em que chegou, com consequências nefastas para a vida do cidadão. “Por não termos sido suficientemente sérios”, considera Falcão, o país tinha perdido aquilo a que chama de “rédeas do processo”, facto que contribuiu para que a corrupção atingisse níveis alarmantes, instalando-se nos vários segmentos da vida governativa de Angola. Para Falcão, agora, um dos erros que se está a cometer no combate a um mal que, ao longo de vários anos, prejudicou a economia angolana prende-se com o facto de se prenderem pessoas para depois investigar, advertindo, por outro lado, que a corrupção não se combate com decreto. OPAIS

Rate this item
(0 votes)
Last modified on Quinta, 11 Abril 2019 02:10
. .
.
.