Mãe de angolano morto sob custódia policial britânica critica conclusão de inquérito judicial

uno Cardoso was studying law at Ruskin College in Oxford uno Cardoso was studying law at Ruskin College in Oxford

A mãe do angolano Nuno Cardoso, de 25 anos, que morreu em 2017 após ser detido pela polícia britânica, contestou hoje o resultado de um inquérito judicial que concluiu que os agentes respeitaram os procedimentos.

O Tribunal da Comarca do Sal decretou prisão preventiva como medida de coação à uma mulher de 25 anos, que é “fortemente indiciada” na prática de um crime de homicídio na sua forma consumada e agravada, contra um recém-nascido.

"Estamos extremamente desapontados com a conclusão do júri, que não podemos conciliar com os testemunhos que ouvimos", disse Doroteia dos Santos Cardoso, num depoimento publicado hoje pela organização INQUEST, que garantiu apoio jurídico.

As orientações internas determinam que, se um agente suspeitar que o detido possa ter engolido drogas, este deve ser transportado para o hospital, que no caso situava-se a apenas cinco ou seis minutos de distância.

Porém, Nuno Cardoso foi colocado numa carrinha da polícia para ser transportado para uma esquadra mais longe.

Foi no caminho que os agentes perceberam que Nuno Cardoso estava inconsciente, tendo parado o veículo para prestar assistência e fazer manobras de reanimação.

Segundo os polícias, foi encontrado na boca um pedaço de canábis "quase do tamanho de uma bola de golfe" e uma autópsia determinou que a causa da morte foi paragem cardiorrespiratória devido à intoxicação associada de álcool, cocaína e morfina (heroína).

O júri concluiu, no final do inquérito, na quarta-feira em Oxford, que os agentes "aplicaram força razoável e proporcional" durante a detenção e aceitou que eles não perceberam que Nuno Cardoso tinha engolido drogas.

Ainda assim, Doroteia dos Santos Cardoso acredita que os agentes podiam ter feito mais para salvar a vida do filho, que estudava Direito naquela cidade inglesa.

"Não interessa o que Nuno teria alegadamente feito para que a polícia tivesse sido chamada, ele deveria ter merecido respeito e dignidade. Não creio que ele tenha tido isso daqueles agentes a 24 de novembro de 2017", lamentou.

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Last modified on Quinta, 18 Julho 2019 23:31
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