Advogado angolano estranha que tenha sido o Estado a pedir o arresto e acusa o MP de populismo. O processo judicial é um passo “radical” na luta entre facções do poder em Angola. Há quem ache que vem aí uma guerra sem quartel, mas há também quem diga que nada vai acontecer e “ninguém verterá uma lágrima” por Isabel dos Santos?

Um fim de ano que fica para a história de Angola e novo ano a fervilhar. Antes de janeiro acabar, a PGR angolana avançará com a ação principal contra Isabel dos Santos ou o arresto decretado pelo Tribunal Provincial de Luanda (TPL) extingue-se, garantem fontes jurídicas locais. Só no âmbito da ação, haverá acusação e defesa formais e decisões finais, mas os ventos não favorecem a empresária. Angola está determinada em mostrar uma nova normalidade e se agora reclama mil milhões - que Isabel dos Santos nega ter recebido - relativos ao financiamento da compra das empresas enquanto Eduardo dos Santos era presidente, outras exigências virão, por exemplo sobre mais-valias delas obtidas.

Ricardo Soares de Oliveira, professor em Oxford e autor do livro Magnífica e Miserável: Angola desde a Guerra Civil, considera que o arresto de bens de Isabel dos Santos, acusada de ter lesado o Estado angolano em 1,13 mil milhões de dólares, mostra uma «radicalização da ofensiva» contra o ex-presidente, José Eduardo dos Santos, e a sua família.

A direcção da Cidade da China, zona comercial localizada no município de Viana, em Luanda, referiu hoje (sexta-feira) que o dinheiro falso encontrado dentro da instituição comercial pertencia ao proprietário da empresa denominada "Comida de Tai Wan".

Em entrevista ao Observador, Isabel dos Santos nega ter sido favorecida pelo pai, fala das acusações de irregularidades no BIC Portugal e conta que não vai a Angola há mais de um ano porque tem medo.

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