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CEAST condena violência no Uíge e alerta para o agravar da intolerância política

Post by: 10 Agosto, 2026
CEAST condena violência no Uíge e alerta para o agravar da intolerância política

O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) condenou hoje, em Luanda, os acontecimentos no Uije, referindo-se à intervenção da polícia junto à sede da UNITA, manifestando preocupação com a intolerância política no país.

"A violência não pode ser a nossa bandeira, 50 anos depois da nossa independência", disse o arcebispo de Saurimo e presidente da CEAST, Manuel Imbamba, à saída de uma audiência concedida pelo presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida.

No sábado, no Uije, a Policia Nacional cercou a sede provincial do partido União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), para impedir um ato político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador do partido, Jonas Savimbi.

Em declarações à lusa, o secretário-geral da JURA, organização juvenil do partido, Nelito Ekuikui, disse que pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, dez com gravidade.

Sobre este incidente, Manuel Imbamba referiu que na audiência foi feita uma reflexão conjunta sobre o ambiente social, político, que o país está a viver, "que têm a ver com os últimos acontecimentos do Uije que estão a preocupar".

"Daí a necessidade de procurarmos, como instituições, consertarmos ideias, para ver como podemos influenciar positivamente quer as lideranças políticas como as lideranças sociais sobre a cultura do convívio, a cultura do pluralismo, a cultura da amizade social, que todos nós desejamos", referiu.

O arcebispo de Saurimo defendeu a necessidade de se continuar a criar plataformas de diálogo, onde os cidadãos possam se encontrar consigo mesmos e, assim, poderem oferecer aos outros também motivos de sã convivência, referiu.

Manuel Imbamba manifestou preocupação "com os indices de violência que vão crescendo".

"Não podemos advogar qualquer tipo de violência, não podemos advogar qualquer tipo de intolerância, não podemos advogar qualquer tipo de situação que ameace a paz, o convívio social, por isso os acontecimentos do Uije são mesmo para condenar e reprovar, a violência não pode ser a nossa bandeira 50 anos depois da nossa independência", acrescentou.

O presidente da CEAST defendeu também que é preciso evoluir, dar um salto de qualidade na maneira de convívio e na maneira de se fazer a nação.

"É preciso investirmos mais na cidadania, na educação do cidadão à cidadania. Nós gastamos muitas energias a formar militantes e não a formar cidadãos", afirmou.

Para o arcebispo e Saurimo, a Assembleia Nacional é o palco para este diálogo, como local onde estão representados todos os partidos.

"Que sejam eles a mostrar a qualidade da amizade, da intervenção, do convivio, e a própria ideia do partido, que o partido não seja o fator de divisão, que o partido não seja o fator de desagregação social, pelo contrário, seja um ponto de convergência e ideias, embora ideias diferentes, mas que concorram para o bem da nação e o bem das pessoas que fazem Angola", salientou.

De acordo com o presidente da CEAST, falta mudança de mentalidade e a criação de outros paradigmas culturais, ideológicos e de convívio, para se alterar o atual quadro de intolerância politica e a boa convivência.

Manuel Imbamba destacou que a CEAST tem insistido muito na questão e que há muito mais investimento na formação dos militantes, mas "a militância leva necessariamente a situações desta natureza".

"Temos que inverter este quadro, e sabermos que todos somos angolanos, embora tenhamos tendências e pensamentos diferentes (...) a diversidade de ideias deve ser acolhida como um bem e não como um mal, ou como algo que deve ser de todas as maneiras expurgados", realçou.

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