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Investimento direto estrangeiro em Angola caiu 59% em nove anos — estudo

Post by: 19 Mai, 2026
Investimento direto estrangeiro em Angola caiu 59% em nove anos — estudo

O investimento direto estrangeiro em Angola registou uma “contração muito acentuada” entre 2017 e 2025, passando de 29.436 milhões de dólares para 12.182 milhões de dólares em 2025, uma queda de 59%, segundo um estudo económico.

De acordo com o Relatório Económico Anual de 2025, elaborado pelo Centro de Investigação Económica (CINVESTEC) da Universidade Lusíada de Angola e consultado hoje pela Lusa, esta descida de 29.436 milhões de dólares (25.293 milhões de euros) em 2017 para 12.182 milhões de dólares (10.467 milhões de euros) em 2025 “é particularmente desfavorável”, uma vez que o investimento direto estrangeiro “constitui a forma de financiamento externo mais associado à transferência de tecnologia, reforço da capacidade produtiva e estabilidade de longo prazo”.

A “retração prolongada”, observa o CINVESTEC, sugere uma “erosão persistente” da confiança dos investidores no ambiente de negócios em Angola e na previsibilidade regulatória — ainda que os dados de 2025 mostram “sinais incipientes de recuperação”, assinala.

Dados de 2025 sinalizam que o investimento estrangeiro em Angola aumentou de 64.763 para 74.967 milhões de dólares (55.649 para 64.417 milhões de euros), mais 15,8%, com destaque para empréstimos externos e investimento direto.

Os empréstimos externos registaram um crescimento de 8.770 milhões de dólares, sendo 4.288 milhões de dólares em novos empréstimos e o restante em valorizações “devido à depreciação do dólar face às moedas de emissão”, lê-se no relatório.

Relativamente ao investimento direto, este registou igualmente um aumento de 1.149 milhões de dólares (987.308 milhões de euros) para 12.182 milhões de euros, neste período, um percurso que corresponde à “inversão da tendência de desinvestimento líquido no setor petrolífero”.

O estudo sinaliza mesmo que o “crescimento significativo” do investimento direto externo não petrolífero que passou de 353,5 para 959,4 milhões de dólares, representa uma “importante inversão da tendência de estagnação em valores irrelevantes que se mantiveram em toda a legislatura”.

“A evidência empírica aponta para uma flexibilidade estrutural do perfil de financiamento externo de Angola desde 2017”, registando-se “substituições progressivas de capitais produtivos por instrumentos de endividamento e financiamento de curto prazo”.

Em sentido contrário, adianta o CINVESTC, os empréstimos externos “reforçaram o seu peso relativo, tendo aumentado de 40.013 para 56.264 milhões de dólares (34.382 para 48.346 milhões de euros).

Uma dinâmica que relevante uma alteração estrutural do passivo externo, com o país a depender crescentemente do financiamento externo por dívida externa em detrimento de capitais próprios, “implicando maior vulnerabilidade externa, aumento dos encargos financeiros e maior risco de refinanciamento”.

Segundo o Centro de Investigação Económica da Lusíada de Angola, embora o 'stock' de investimento estrangeiro tenha variado apenas menos 8% desde 2017, a sua composição “degradou-se significativamente”.

Esta configuração “traduz-se em maior fragilidade externa, menor potencial de crescimento sustentado e maior exposição a choques adversos nos mercados internacionais de financiamento”, refere-se na pesquisa.

Salienta-se, por outro lado, que em 2025 o investimento angolano no exterior (incluindo reservas) aumentou de 34.625 para 38.470 milhões de dólares (+11,1%), impulsionado por investimentos de carteira e créditos comerciais e adiantamentos.

No domínio da oscilação de transferências, o relatório destaca que os rendimentos do trabalho mantiveram o défice de cerca de 320 milhões de dólares, com transferências para o exterior de 354 milhões de dólares, “muito superiores” às entradas de 38 milhões de dólares, estas últimas com crescimento modesto de 3,1%.

Aponta ainda “factores determinantes” para a melhoria do ambiente de negócios em Angola, como o reconhecimento da riqueza como capital, simplificação das regras de funcionamento, “liberdade efectiva do comércio”, combate à corrupção, segurança pública, “reforma económica efectiva do Estado”.

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