UNITA lamenta morte de arcebispo angolano “ícone” da luta pela paz e liberdade

Post by: 30 May, 2026

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) manifestou profundo pesar pela morte de Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito do Lubango, falecido no dia 29 de Maio, em Luanda, vítima de doença, destacando o seu papel determinante na promoção da paz, da reconciliação nacional e da defesa dos direitos humanos em Angola.

Numa nota de condolências divulgada pelo Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política, o maior partido da oposição considerou a morte do prelado uma perda irreparável para a Igreja Católica e para toda a sociedade angolana.

A UNITA descreve Dom Zacarias Kamwenho como uma das figuras mais influentes da história contemporânea de Angola, sublinhando o seu percurso eclesiástico e o contributo prestado ao longo de décadas ao serviço da Igreja e do país.

Ao longo da sua missão pastoral, Dom Zacarias desempenhou várias funções de destaque na hierarquia católica, tendo sido Bispo Auxiliar de Luanda entre 1974 e 1975, Bispo do Sumbe de 1975 a 1995, Arcebispo Coadjutor do Lubango entre 1995 e 1997 e Arcebispo do Lubango de 1997 a 2009, passando posteriormente à condição de Arcebispo Emérito.

Na mensagem de condolências, a UNITA recorda sobretudo o papel desempenhado pelo religioso durante os anos mais difíceis do conflito armado angolano, período em que assumiu uma posição de relevo na procura de soluções pacíficas para a guerra civil.

Enquanto presidente da Comissão Episcopal de Justiça e Paz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Dom Zacarias Kamwenho destacou-se como uma das vozes mais activas na promoção do diálogo, da reconciliação nacional e da defesa da dignidade humana.

Segundo a UNITA, o prelado protagonizou actos de coragem e patriotismo ao envolver-se nos esforços de mediação entre as partes em conflito, contribuindo para a construção da paz e para a consolidação da convivência entre os angolanos.

O reconhecimento internacional do seu trabalho chegou em 2001, quando foi distinguido com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu. A distinção premiou o seu compromisso com a paz, a democracia e os direitos humanos, projectando o seu nome além-fronteiras como uma das mais respeitadas referências morais do continente africano.

Na sua nota, a UNITA considera que, com a morte de Dom Zacarias Kamwenho, Angola perde uma das suas mais importantes autoridades morais e éticas, numa altura em que o país continua a enfrentar desafios relacionados com o fortalecimento dos valores cívicos, da justiça social e da reconciliação nacional.

O partido destaca ainda o legado deixado pelo Arcebispo Emérito, assente em princípios como a humildade, a integridade, a fé, o compromisso com o bem comum e a defesa intransigente da dignidade humana.

A formação política liderada por Adalberto Costa Júnior enalteceu igualmente a postura de Dom Zacarias Kamwenho na defesa do Estado Democrático e de Direito e na luta contra a corrupção, causas que, segundo a UNITA, o religioso abraçou até aos últimos dias da sua vida.

"Nesta hora de dor e luto, curvamo-nos diante da memória deste ilustre filho de Angola", refere a nota, na qual o partido apresenta condolências à família enlutada, à Igreja Católica e à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé.

Para a UNITA, o desaparecimento físico de Dom Zacarias Kamwenho não apagará o legado que construiu ao longo de décadas de serviço religioso e cívico, permanecendo como uma referência incontornável na memória colectiva dos angolanos e na história da construção da paz em Angola.

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