Numa nota de condolências divulgada pelo Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política, o maior partido da oposição considerou a morte do prelado uma perda irreparável para a Igreja Católica e para toda a sociedade angolana.
A UNITA descreve Dom Zacarias Kamwenho como uma das figuras mais influentes da história contemporânea de Angola, sublinhando o seu percurso eclesiástico e o contributo prestado ao longo de décadas ao serviço da Igreja e do país.
Ao longo da sua missão pastoral, Dom Zacarias desempenhou várias funções de destaque na hierarquia católica, tendo sido Bispo Auxiliar de Luanda entre 1974 e 1975, Bispo do Sumbe de 1975 a 1995, Arcebispo Coadjutor do Lubango entre 1995 e 1997 e Arcebispo do Lubango de 1997 a 2009, passando posteriormente à condição de Arcebispo Emérito.
Na mensagem de condolências, a UNITA recorda sobretudo o papel desempenhado pelo religioso durante os anos mais difíceis do conflito armado angolano, período em que assumiu uma posição de relevo na procura de soluções pacíficas para a guerra civil.
Enquanto presidente da Comissão Episcopal de Justiça e Paz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Dom Zacarias Kamwenho destacou-se como uma das vozes mais activas na promoção do diálogo, da reconciliação nacional e da defesa da dignidade humana.
Segundo a UNITA, o prelado protagonizou actos de coragem e patriotismo ao envolver-se nos esforços de mediação entre as partes em conflito, contribuindo para a construção da paz e para a consolidação da convivência entre os angolanos.
O reconhecimento internacional do seu trabalho chegou em 2001, quando foi distinguido com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu. A distinção premiou o seu compromisso com a paz, a democracia e os direitos humanos, projectando o seu nome além-fronteiras como uma das mais respeitadas referências morais do continente africano.
Na sua nota, a UNITA considera que, com a morte de Dom Zacarias Kamwenho, Angola perde uma das suas mais importantes autoridades morais e éticas, numa altura em que o país continua a enfrentar desafios relacionados com o fortalecimento dos valores cívicos, da justiça social e da reconciliação nacional.
O partido destaca ainda o legado deixado pelo Arcebispo Emérito, assente em princípios como a humildade, a integridade, a fé, o compromisso com o bem comum e a defesa intransigente da dignidade humana.
A formação política liderada por Adalberto Costa Júnior enalteceu igualmente a postura de Dom Zacarias Kamwenho na defesa do Estado Democrático e de Direito e na luta contra a corrupção, causas que, segundo a UNITA, o religioso abraçou até aos últimos dias da sua vida.
"Nesta hora de dor e luto, curvamo-nos diante da memória deste ilustre filho de Angola", refere a nota, na qual o partido apresenta condolências à família enlutada, à Igreja Católica e à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé.
Para a UNITA, o desaparecimento físico de Dom Zacarias Kamwenho não apagará o legado que construiu ao longo de décadas de serviço religioso e cívico, permanecendo como uma referência incontornável na memória colectiva dos angolanos e na história da construção da paz em Angola.





