MPLA defende que Polícia agiu para restaurar a ordem em evento da UNITA no Uíge

Post by: 14 August, 2026

O lider do grupo parlamentar do MPLA, partido maioritário, considerou hoje que a Polícia Nacional angolana teve de agir para impor a ordem, durante uma iniciativa política que militantes da UNITA, oposição, pretendiam realizar na província do Uije.

Joaquim Rei Júnior, que falava à margem da cerimónia de encerramento da 4.ª sessão legislativa, reagia ao incidente registado sábado na provincia do Uije, quando a Policia Nacional cercou a sede provincial da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), para impedir um ato político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi.

"A Polícia Nacional teve de agir para impor a ordem. Os partidos politicos têm o direito a fazer atos políticos, mas temos o dever de obedecer às instruções que as autoridades nos dão, nomeadamente quando escolhemos determinados locais que não são aconselhados, devemos acatar e seguir o que as autoridades nos dizem", referiu.

Quando há desordem, prosseguiu o líder do grupo parlamentar do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), "não há outra alternativa senão impor a ordem".

"Se hå legado que nós temos que deixar para os nossos é de facto a ordem no país", acrescentou.

Questionado se considera que houve excessos na atuação da polícia, respondeu que não esteve no local.

Por sua vez, o líder do Partido de Renovação Social (PRS), Bendito Daniel, deplorou o ato e condenou a atuação da Polícia.

Benedito Daniel, líder do grupo parlamentar misto PRS e Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA), disse que esta questão não é apenas da UNITA, mas da oposição.

"É preciso rever os pressupostos da nossa democracia, olhar para trás para vermos os valores da nossa cidadania, para podermos compreender que tipo de democracia é que nós queremos", referiu o deputado, vincando que a Policia tem a responsabilidade de proteger os cidadãos, dos partidos políticos e de manter a ordem e segurança pública.

O deputado lamentou a ausência de qualquer reação do Governo "a condenar, a culpar, a lamentar ou a dizer qualquer coisa, que realmente houve algum erro, manteve-se em silêncio até agora".

Na altura, o secretário-geral da JURA, organização juvenil da UNITA, Nelito Ekuikui, e deputado à Assembleia Nacional, disse que pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, dez com gravidade, na sequência da intervenção da polícia.

Em comunicado, a Polícia Nacional angolana disse que usou força moderada e meios não letais para dispersar os manifestantes, não tendo havido danos humanos graves, citando como feridos três efetivos policiais e um civil.

"Não se registaram danos humanos graves. Houve apenas ferimentos ligeiros por escoriação num cidadão manifestante e em três efetivos da Policia Nacional, em consequência de arremesso e objetos contundentes", destacou-se no documento.

O grupo parlamentar da UNITA chegou a solicitar ao parlamento angolano um voto de protesto contra os acontecimentos, que afetaram igualmente deputados, mas o pedido foi reprovado.

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