Na sua intervenção, o ministro do Planeamento angolano, Victor Hugo Guilherme, destacou a parceria entre o Ministério da Agricultura e Florestas de Angola, o Grupo Banco Mundial e todos os parceiros envolvidos na construção desta plataforma de cooperação e mobilização de investimentos para o setor agricola angolano.
Segundo o ministro, o processo de adesão ao projeto iniciou-se em julho de 2025, colocando Angola entre os pioneiros em África nesta iniciativa global.
O Compacto Agriconnet Angola, com a duração de quatro anos (2026-2030), tem como foco os corredores do Lobito e de Malanje, vias ferroviárias das provincias de Benguela e de Malanje, respetivamente, para dinamizar cadeias de valor estratégicas, como cereais, café, frutas, pecuária e florestas.
Victor Hugo Guilherme sublinhou que a iniciativa prevê também o reforço de infraestruturas agricolas, armazenamento e logistica, com impacto direto na criação de emprego, redução de perdas e melhoria da eficiência produtiva.
"O Compacto Agriconnect surge num contexto em que a agricultura continua a ser um setor estratégico para o desenvolvimento nacional. Nos últimos cinco anos, o setor da agricultura, pecuária e floresta cresceu em média perto de 5% e o seu peso na estrutura económica passou de 14,6%, em 2021, para 19,1%, em 2025", disse.
Apesar deste desempenho, o governante angolano admitiu que ainda há "desafios importantes" a ultrapassar, nomeadamente a fragmentação das cadeias de valor, o acesso limitado a mercados, a financiamento e a tecnologia, bem como a insuficiente integração dos pequenos produtores na economia formal.
"É neste enquadramento que o Compacto Agriconnect se afirma como uma resposta oportuna, inovadora e estruturante, na medida que se trata de uma plataforma digital integrada que visa aproximar os produtores aos mercados, às instituições financeiras, aos serviços públicos, promovendo maior eficiência, inclusão e competitividade ao longo das cadeias de valor agrícolas", referiu.
Em declarações à imprensa, o ministro da Agricultura e Florestas angolano, Isaac dos Anjos, salientou que tem havido uma preocupação da comunidade internacional em financiar projetos para o Corredor do Lobito, uma infraestrutura ferroviária, e o Banco Mundial alinhou-se nessa perspetiva.
Isaac dos Anjos frisou que o executivo angolano considerou que, além da infraestrutura ferroviária de Benguela, devia ser incluída também a de Malanje, entre as quais vão decorrer todas as iniciativas agrícolas, a serem cofinanciadas com investimento externo.
"Assim deve ser visto o Agriconnect, que é a ligação da agricultura com a transformação e a preparação dos alimentos e os produtos reais para o mercado", disse.
Segundo o ministro, vários projetos do setor da agricultura são já financiados pelo Banco Mundial, pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), sendo o objetivo, com o Agriconnect, encontrar financiamentos para a agroindústria e montagem da logistica.
"É preciso pensar em termos de silos, de fertilizantes, os fundos públicos sozinhos não suportam", vincou.
O plano de financiamento prevê, a longo prazo, para o Governo de Angola, uma contribuição de 300 milhões de dólares (260,2 milhões de euros) para infraestrutura pública, laboratórios, estradas, irrigação, custos de operação e manutenção.
O Banco Mundial, com o maior montante entre os parceiros, a longo prazo, prevë 450 milhões de dólares (390,4 milhões de euros) para projetos de irrigação, logística, agenda digital setorial, bens públicos e instrumentos financeiros inovadores, devendo os restantes 700 milhões de dólares (607,3 milhões de euros) ser suportados por outros quatro parceiros do projeto.





