Vice-governador do BNA diz que foi "limitado" impacto de oscilações cambiais nos preços

O vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Tiago Dias, considerou, nesta quinta-feira, que o Kwanza entrou para uma trajectória de apreciação, depois dos altos níveis de depreciação registados a partir de 23 Outubro.

Ao intervir numa conferência de imprensa, o gestor explicou que a apreciação resulta das medidas adoptadas após a liberalização da taxa de câmbio.

Entre essas medidas destaca-se o aumento da oferta de divisas (moeda estrangeira convertível) no mercado e o controlo do kwanza em circulação na economia.

No dia da liberalização da taxa de câmbio, cada dólar era transaccionado a 497 kwanzas (câmbio do BNA), mas hoje (dia 14) está a 457,83 por cada dólar.

Isso representa uma apreciação de quase 9 por cento.

Manuel Tiago Dias mostrou-se optimista quanto à normalidade das actividades dos agentes económicos que terão, no seu entender, repercussões positivas sobre a economia.

As medidas, adiantou, prevêem, consequentemente, benefícios para os consumidores, depois dos ajustamentos necessários.

O responsável acrescentou que a economia e o mercado cambial estavam totalmente "desequilibrados", tendo lembrado que se registou em 2018 várias operações pendentes em termos de regularização junto da banca comercial, que nesta fase, paulatinamente, começa a registar alterações.

A intenção do Banco Central é fazer com que as oscilações que a taxa de câmbio registar no futuro não sejam assim tão acentuadas, mas que se situem em patamares que permitam aos agentes económicos poderem prever o futuro com mais cautela.

A taxa de câmbio ditada pelo BNA, é determinada pela lei da procura e oferta.

A regularização das operações passadas, a transparência introduzida no mercado cambial, que passou pela comunicação pública dos montantes que o BNA se predisponha a colocar na economia e a realização periódica de leilões, são entre outras medidas que estão a contribuir para o equilíbrio do mercado cambial e da economia, de acordo com Manuel Tiago Dias.

O vice-governador do BNA também falou, além da política cambial, sobre e o relatório do índice de preços no consumidor nacional, referente aos meses de Agosto a Setembro de 2019, que teve um aumento de 1,45% e uma variação homóloga acumulada dos últimos 12 meses de 16%.

Em relação a alteração dos preços, referiu que depois das “ fortes perturbações” registadas a nível do mercado cambial, fez com as diversas opiniões convergissem na previsão do aumento de preços na economia.

Passada a fase, não obstante ter havido um aumento de preços, considera o mesmo ser bastante limitado, uma observação que deixa o Banco Central optimista em relação aquilo pode vir a ser até final de 2019.

"Podemos aqui dizer que os preços subiram, mas de maneira branda do que aquilo que os observadores económicos esperavam", disse.

O Índice de Preços no Consumidor Nacional registou uma variação de 1,45%, durante o período de Agosto a Setembro de 2019.

Registaram maior aumento as províncias do Cuanza Norte com 1,69%, Lunda Sul 1,63%, Huíla com 1,60, Uíge com 1,56%, Luanda com 1,55% e Cuanza Sul com 1,45%.

As províncias com menor variação foram as do Bengo com 1,27%, Huambo, com 1,22%, Lunda Norte com 1,20%, Cuando Cubango com 1,19%, Namibe com 1,15% e Cunene com 1,06%.

A classe “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas” foi a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, com 0,72 pontos percentuais durante o mês de Setembro, seguida das classes“Bens e Serviços Diversos”com 0,13 pontos percentuais, “Vestuário e Calçado” com 0,12 pontos percentuais e “Habitação, Água, Electricidade e Combustíveis” com 0,11 pontos percentuais.

As restantes classes tiveram taxas inferiores a 0,11 pontos percentuais.

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Last modified on Quinta, 14 Novembro 2019 21:03
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