South African encerrará operações no Brasil após 50 anos de voos

A South African Airways (SAA), companhia aérea mais tradicional da África, irá encerrar as operações no Brasil no final deste mês.

A notícia foi divulgada pelo jornal local Fin24 e confirmada pela Bloomberg. O plano de reestruturação da empresa para evitar falência inclui também um corte quase total em voos domésticos.

Todos os voos dentro da África do Sul, com exceção entre a capital Joanesburgo e a Cidade do Cabo, serão terminados a partir do dia 29 deste mês. Os destinos não mais operados incluem Durban, East London e Porto Elizabeth.

As rotas operadas pela subsidiária low-cost Mango não serão afetadas, mas não se sabe sobre a continuidade das rotas das parceiras regionais SA Express e Airlink.

Quase falência dará fim a 50 anos de serviço no Brasil

A notícia vem após diversos aportes do governo sul-africano para tentar resgatar a companhia, que por anos obteve prejuízos, mas que nunca mudou sua gestão ou estratégia.

A mudança veio neste ano após risco de perder aeronaves e paralisação temporária da companhia. Sem saída, a administração da empresa anunciou a venda de aeronaves, renovação da frota para redução de custos (ironicamente com um jato que iria para a LATAM) e demissão de centenas de funcionários.

Seguindo esta linha, vieram os cortes de rotas internacionais, que iniciaram-se com Hong Kong e hoje foram expandidos. Também a partir do dia 29 a empresa deixará de voar para Accra, Entebbe, Guangzhou, Luanda, Munique e Ndola.

Os únicos destinos internacionais a serem mantidos serão Nova Iorque, Frankfurt, Londres, Perth e Washington D.C. Todos deverão ser operados pelos recém-recebidos Airbus A350-900.

A empresa voa para o Brasil desde 1969, quando iniciou os voos para o Rio de Janeiro com o Boeing 707, que seguia para Nova Iorque. A escala era estratégica, já que não podia operar voos diretos para o país por embargo do Apartheid, regime que segregou negros na África do Sul.

Desde 1995 voa para São Paulo – Guarulhos, que se tornou a sua única rota depois do fim dos voos para o Rio na virada da década passada. A empresa utilizou no Brasil os quadrijatos Boeing 747SP, -200, -300 -400, e Airbus A340-300 e 600.

Atualmente, voa com os Airbus A330-200 e A330-300 para São Paulo diariamente. A empresa informou que irá dar um reembolso integral para os passageiros afetados.
Recomendamos que os passageiros que tenham passagem na companhia contatem a mesma o mais rápido possível, dado que a South African não falou sobre a possibilidade de acomodação em voo da LATAM, que é a única outra empresa que opera a rota.

Ao mesmo tempo, a LATAM parece que esperava a suspensão da rota, dado que seis dias atrás anunciou que pretendia voltar com os voos diários para Joanesburgo.

A SAA opera o voo entre Joanesburgo (JNB) e São Paulo (GRU) diariamente, enquanto a LATAM o faz cinco vezes por semana com o moderno Airbus A350XWB.

O voo da LATAM começou em 2016 com o menor Boeing 767-300ER, mas desde agosto do ano passado foi introduzido o novo A350, que permitiu oferecer mais assentos e com uma economia maior, que atrapalhou a SAA.

Histórico da rota

Utilizando dados da ANAC, levantamos a ocupação da SAA na rota Joanesburgo – São Paulo – Joanesburgo nos últimos três meses de 2019, confira:Outubro:

- 73% no JNB-GRU e 71% no GRU-JNB
- Novembro: 72% no JNB-GRU e 64% no GRU-JNB
- Dezembro: 70% no JNB-GRU e 79% no GRU-JNB

Outra companhia que operou a rota foi a Varig com o Boeing 747-400: a pioneira fazia a rota Rio – São Paulo – Joanesburgo – Bangkok – Hong Kong duas vezes por semana.

A rota não durou muito, mas visava os passageiros (principalmente chineses) que não queriam ou conseguiam ter o visto americano, já que as rotas da Varig para a Ásia passavam pelo seu mini-hub em Los Angeles.

Com a saída da SAA, as únicas companhias aéreas africanas que irão operar no Brasil serão a TAAG Angola, Ethiopian Airlines e Royal Air Maroc.

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