Administração do Caminho-de-Ferro de Luanda reconhece direito à greve mas recusa chantagens

O Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) reconhece o direito à greve dos seus trabalhadores, mas exige que seja respeitado o "direito de quem queira trabalhar", disse hoje à agência Lusa o porta-voz da empresa.

Augusto Osório reagia à situação que se verificou na manhã de hoje no CFL, na sequência da retomada dos serviços mínimos exigidos por lei em caso de greve, que originou a intervenção da polícia e ferimentos e detenções de alguns dos trabalhadores grevistas.

Segundo Augusto Osório, na manhã de hoje, tal como estava previsto, às 06:00 partiu o comboio de passageiros da Estação do Bungo com destino à Estação de Viana, mas, diante da passagem de nível do Cazenga, um grupo de grevistas impediu a circulação do comboio colocando-se na linha.

"Naturalmente, houve intervenção policial, que procurou conversar e sensibilizar os grevistas para a violação da lei que estavam a cometer", referiu.

O porta-voz do CFL salientou que a intervenção da polícia foi pedagógica, esclarecendo que "não estava ali para privar os grevistas de manifestarem qualquer intenção reivindicadora".

"A polícia, claramente, apontou o facto de eles estarem a violar a lei e que não podia continuar a permitir a violação das normas, protagonizando esta situação de violação à segurança pública, de desacato às autoridades", frisou, garantindo que a empresa irá responsabilizar os grevistas em causa "até às últimas consequências".

Augusto Osório disse que a intervenção da polícia foi no sentido de "repor a ordem pública e a lei", através dos seus métodos, tendo de "usar a força para a retirada dos indivíduos da linha férrea".

"O Conselho de Administração reconhece o direito que as pessoas têm em fazer a greve, isto é um direito constitucional. Não queremos outra coisa senão que eles, no respeito ao direito deles, respeitem também o direito de quem queira trabalhar, juntar-se ao esforço para servir as populações e atingir aquilo que é objetivo social do Caminho-de-Ferro de Luanda", salientou.

O responsável acusa os grevistas de protagonizarem atos de "violência, chantagem", para impedir "qualquer uma outra pessoa que queira trabalhar de o fazer".

"Não sei que tipo de sindicalismo esses indivíduos querem fazer. Gostaria de questionar a central sindical que está por trás desses sindicalistas, que tipo de sindicalismo, se eles se reveem nesta violência, nestas atitudes de arruaça, de desordem pública. Eu próprio fui ameaçado de morte pelo simples facto de prestar declarações à imprensa, é esse sindicalismo que temos", disse.

"Isso, para nós, é uma sabotagem, que tem fins para lá dos meramente laborais, fins meramente reivindicativos. Querem é sabotar o Caminho-de-Ferro de Luanda para atingir fins políticos inconfessos, mas para isso recorrem a todo o tipo de ilegalidade, de arruaças, de situações inimagináveis", continuou.

Questionado sobre se diante do quadro vão continuar as negociações, Augusto Osório referiu que existe um acordo entre as partes, que está a ser cumprido, com exceção do aumento salarial na ordem dos 80%, por falta de condições da empresa.

"As negociações não devem ser feitas 'ad eternum', houve negociações de que resultou o acordo, que está a ser cumprido. O que tem que ser permanente é o diálogo e a concertação", disse.

"O Estado não deve ceder a chantagens de um grupo de indivíduos. O Estado vai continuar a atingir os seus objetivos e todos aqueles que estão a ameaçar e envolvidos em situações ilegais vão ser responsabilizados de acordo com as leis. Vamos até às últimas consequências no serviço que temos de prestar às populações e tendo sempre em cumprimento as leis do país", acrescentou.

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