O documento foi apresentado durante a abertura do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF), em Macau, e analisa o desempenho e as perspetivas do setor nos nove países lusófonos, bem como o papel de Macau na cooperação associada à Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” (BRI).
Apesar de o Índice de Desenvolvimento das Infraestruturas (IDI) dos países de língua portuguesa se ter mantido estável nos 126 pontos em 2026, os autores do relatório alertam que o setor continua sujeito a “fortes pressões externas” que condicionam a capacidade de investimento e a concretização de novos projetos.
Entre os principais fatores apontados estão as políticas monetárias divergentes adotadas por diferentes economias, que aumentam a incerteza nos custos de financiamento, as mudanças no comércio internacional que afetam a procura por projetos de infraestruturas e a crescente instabilidade geopolítica, que tem elevado os riscos para investidores e financiadores.
A estes desafios somam-se ainda os elevados níveis de dívida soberana registados em alguns países e a lentidão na implementação de reformas estruturais, elementos que, segundo o estudo, reduzem a competitividade e a atratividade dos mercados.
No caso de Angola, o país registou uma ligeira descida no índice, passando para 115 pontos, sendo penalizado por fatores como as flutuações cambiais, o aumento dos custos de importação e as limitações fiscais. Ainda assim, o relatório reconhece que o mercado angolano mantém bases sólidas em áreas estratégicas, nomeadamente nos setores dos transportes e da construção.
O estudo sublinha que, apesar das dificuldades conjunturais, Angola continua a beneficiar da procura por infraestruturas essenciais para apoiar a diversificação económica e a melhoria dos serviços públicos, fatores considerados determinantes para sustentar o crescimento a médio e longo prazo.
Entre os países analisados, o Brasil consolidou a liderança com 129 pontos, impulsionado pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e por reformas económicas que têm estimulado investimentos em energia, transportes e infraestruturas estratégicas. Moçambique ascendeu à segunda posição, alcançando 118 pontos, graças ao avanço de projetos energéticos apoiados por instituições financeiras multilaterais.
A Guiné Equatorial manteve o quarto lugar, seguida por Portugal, Timor-Leste, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
O relatório destaca igualmente o aprofundamento da cooperação entre a China e os países lusófonos, sobretudo em áreas ligadas à energia verde, infraestruturas digitais e transportes. Neste contexto, Macau continua a desempenhar um papel relevante enquanto plataforma de ligação económica, apoiando mecanismos de financiamento multilateral para projetos de desenvolvimento.
Elaborado pela Associação Chinesa de Empreiteiros Internacionais e pela seguradora estatal Sinosure, o estudo conclui que, apesar dos obstáculos externos, o setor das infraestruturas nos países de língua portuguesa tem demonstrado capacidade de resistência. Contudo, alerta que a manutenção do crescimento dependerá da estabilidade macroeconómica, da capacidade de atrair investimento e da implementação de reformas que reforcem a confiança dos mercados.





