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Empresários angolanos saúdam cimeira sobre turismo mas alertam para desafios

Post by: 16 Junho, 2026
Empresários angolanos saúdam cimeira sobre turismo mas alertam para desafios

Empresários disseram hoje que Angola é um destino turistico "emergente" que deve ser impulsionado pela cimeira internacional sobre o turismo e investimentos, que arranca quarta-feira em Luanda, alertando, contudo, para os "grandes desafios" das infraestruturas, transportes e formação.

Luanda, capital angolana, acolhe, entre quarta e sexta-feira, o Angola Investiment Summit 2026, iniciativa do Ministério do Turismo de Angola em parceria com a Global Tourism Forum Institute (GTFI), e os operadores turisticos no país enalteceram a iniciativa, acreditando na projeção do setor.

Para a empresária Isabel Apolinário, a cimeira internacional sobre investimentos, turismo, inovação e desenvolvimento económico inscreve-se num conjunto de ações que têm sido desenvolvidas pelo Ministério do Turismo, considerando tratar-se de um espaço para "dar a conhecer Angola [ao mundo]".

"Estamos todos muito expectantes, de facto, [com este fórum], porque poderá ser algo muito interessante para Angola, é mais uma ação para dar a conhecer Angola e precisa disso para que o destino seja conhecido e deixe de ser apenas algo que se menciona, mas sim um destino emergente a nível turistico", afirmou hoje a empresária.

À Lusa, Isabel Apolinário, responsável da Agência Cosmos Travel Angola, defendeu que o destino Angola deve ser conhecido pelo mundo para que o país (com vários destinos naturais e culturais encantadores) seja atrativo aos investidores".

"É necessário que haja demanda para que depois se invista, caso contrário será mais difícil. Estou bastante expectante e acredito que será algo benéfico para o país", notou.

A operar em Angola desde 2011 e com uma experiência de quase 30 anos em Portugal, a diretora da agência que oferece rotas, produtos e experiências turísticas em vários domínios, sinalizou que o país ainda tem "enormes desafios" ligados, sobretudo, às infraestruturas, acessos e hotéis.

Lamentou ainda a escassez de profissionais e a falta de consistência nos serviços que se oferecem aos turistas, salientando, no entanto, que o país "precisa de transformar os seus recursos naturais em produto".

Por sua vez, o empresário Jaime Freitas, também com investimentos no setor do turismo, deu "boas-vindas" à cimeira internacional de Luanda, que surge para divulgar o nome de Angola e "tentar atrair o investimento, especialmente se não for muito caro", disse.

Contudo, prosseguiu, o país deve assentar os pés no chão, olhar para a realidade e assumir "a grande falta de infraestruturas" para poder garantir a dinamização do turismo em todo o país, particularizando o "destino turístico Namibe".

"Se por transporte aéreo nós temos dificuldades de ir e voltar, pelo transporte terrestre a situação é ainda pior. Acho que nos falta a condição básica para haver turismo (...). Portanto, sem que exista transporte regular aéreo que funcione, estradas que minimamente possam permitir a ida de turistas, a situação torna-se difícil", afirmou.

Freitas elogiou o empenho do ministro do Turismo de Angola, "que não poupa esforços para tentar conseguir realizar os seus objetivos", mas, sublinhou, "a realidade cria dificuldades que dificilmente são ultrapassadas".

"A minha posição parece muito crítica, mas é a realidade", vincou o empresário em entrevista à Lusa.

Pela Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), o seu presidente, Ramiro Barreira, considerou que o fórum que conta com "alto patrocínio do Presidente angolano, João Lourenço constitui um momento importante para que o turismo "ganhe espaço e consiga posicionar-se no plano internacional".

O fórum, no entender do presidente da AHRA, vem numa altura importante "para ajudar o país a ter um reconhecimento internacional ainda muito maior" e para que os operadores angolanos "consigam compreender um pouco a dinâmica do turismo internacional" e catapultar investimentos para o setor do turismo em Angola.

"Como o turismo em Angola é ainda muito virgem, tem áreas que, de facto, podem atrair muito o turismo internacional, principalmente ao nivel do turismo sol e mar e ao nível do turismo de natureza. Estes dois segmentos, para mim, parecem muito importantes", concluiu.

A edição 2026 deverá reunir em Luanda mais de mil participantes, entre fundos soberanos, bancos de desenvolvimento, investidores institucionais, operadores turísticos globais, grupos hoteleiros, decisores politicos e outros.

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