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Angola tem de pensar no pós-petróleo e no caminho que abre a eletricidade – Costa Silva

Post by: 18 Junho, 2026
Angola tem de pensar no pós-petróleo e no caminho que abre a eletricidade – Costa Silva

O ex-ministro da Economia português António Costa Silva defendeu hoje que Angola tem de pensar no pós-petróleo e apostar na eletricidade como nova fonte de divisas, alertando para a retração de 8% da produção petrolífera em 2025.

Costa Silva falava hoje à Lusa, em Luanda, à margem da apresentação do estudo “Banca em Análise”, da Deloitte, sublinhando que, apesar de o petróleo “não ser culpado do que acontece” em Angola, o setor cria “economias rentistas” que importa superar.

O académico elogiou os investimentos feitos no setor elétrico, recordando que a capacidade da rede elétrica angolana triplicou entre 2015 e 2022, passando de 2,3 para 6,2 gigawatts, impulsionada pelas grandes barragens, e que o objetivo é atingir os 8 gigawatts até 2027.

O grande projeto estruturante deste percurso é a barragem de Caculo Cabaça, com 2.060 megawatts, que será o maior aproveitamento hidroelétrico do país.

O engenheiro e gestor destacou o potencial exportador desta capacidade instalada, face ao défice da região africana.

“Angola pode exportar parte desta eletricidade para a África Austral, onde há um déficit de seis gigawatts”, disse, defendendo que, se o país utilizar entre três ou quatro gigawatts para consumo interno, o excedente pode tornar-se “uma nova fonte de divisas” e contribuir para reduzir a dependência do petróleo.

O especialista em energia alertou, porém, para a urgência da diversificação, notando que, em 2025, a produção petrolífera caiu 8%, devido aos campos “mais envelhecidos” e com mais dificuldade em produzir.

“Angola pode ter um problema sério no futuro se só se confia no petróleo e tem que pensar no pós-petróleo”, frisou o académico.

Costa Silva realçou que a eletricidade é uma das grandes alavancas de desenvolvimento desde que conjugada com a modernização da agricultura e a transformação da indústria.

“A eletricidade permite a eletrificação do país todo, incluindo a eletrificação rural”, disse à Lusa, defendendo que esta ligação à mudança agrícola e industrial pode abrir novas frentes de desenvolvimento.

Costa Silva apelou ainda a uma diversificação ampla da economia angolana, rejeitando a substituição de uma dependência por outra.

“Seria trágico substituir a dependência do petróleo pela dependência dos diamantes”, afirmou, alertando para os riscos associados ao setor, incluindo a crescente produção de diamantes artificiais.

“O que Angola precisa é de não depender deste ou daquele setor, mas da conjugação de todos eles no seu conjunto”, concluiu.

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