Inflação em Angola cai para 10,6% e pode levar a novo corte de juros

Post by: 20 Outubro, 2026

Aconsultora Oxford Economics prevê uma inflação média de 10,6% este ano em Angola, significativamente abaixo dos 20,2% registados em 2025, permitindo uma nova redução da taxa de juro de referência em novembro.

"Os dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de setembro reforçam a nossa opinião de que a inflação irá abrandar para uma média de 10,6% em 2026, face aos 20,2% registados em 2025", escrevem os analistas num comentário à evolução da inflação em Angola.

A subida dos preços em 2027 deverá ser superior, nos 13,3%, "devido às pressões sobre os preços dos alimentos relacionadas com o fenómeno El Niño, às despesas associadas às eleições e a uma eventual depreciação da moeda".

Na análise à evolução da inflação, os analistas do departamento africano desta consultora britânica consideram que o abrandamento da subida dos preços em setembro, para 8,4% face ao mesmo período de 2025, permite ao Banco Nacional de Angola decretar um novo corte na taxa de juro de referência.

"Os dados mais recentes do IPC inclinam a balança para um novo corte das taxas em novembro, mas não esperamos outro corte significativo, uma vez que a taxa de juro de referência já foi reduzida em 225 pontos base nas duas últimas reuniões do Comité de Política Monetária (CPM), e os alimentos continuam a representar mais de dois terços da inflação global", lê-se na análise enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso.

Para a Oxford Economics, "o mais provável é uma redução mais modesta, de 50 a 75 pontos base, desde que o kwanza se mantenha estável".

O abrandamento da inflação em setembro marca o 26º mês consecutivo de descida da inflação em Angola, que chegou a 31,1% em julho de 2024.

Em julho, o banco central reduziu as taxas de juro em 125 pontos base, de 17% para 15,75%, uma vez que os preços mais elevados do petróleo e a estabilidade do câmbio da moeda nacional melhoraram as perspetivas de inflação a curto prazo, tendo feito um novo corte, para 14,75%, em setembro.

Em entrevista à Lusa na semana passada no âmbito dos Encontros Anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Banguecoque, o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro de Angola, Ottoniel dos Santos, apontou a inflação como uma das áreas onde os resultados mais têm superado as expectativas, num contexto global de melhoria dos indicadores económicos angolanos este ano.

"A inflação estava prevista fechar 2025 em 18% e neste momento já está em 8,4%", salientou o governante, afirmando que esta tendência de descida consistente pode abrir caminho à adoção plena de um regime de metas de inflação pelo banco central.

"Isto pressupõe que, já no próximo ano, o Banco Nacional de Angola possa implementar aquilo que tem vindo a preparar, que é uma gestão baseada numa meta de inflação", afirmou.

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