UNITA quer debate sobre alternância para “retirar os medos" do pós-eleitoral em Angola

Post by: 19 Mai, 2026

O lider da UNITA, maior partido da oposição angolana, defendeu hoje o debate sobre a alternância, através do pacto de estabilidade, para "retirar os medos que ainda existem na sociedade" sobre os riscos do pós-eleitoral.

Adalberto Costa Júnior, que falava à saída da audiência com o Presidente angolano, João Lourenço, avançou que a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) tomou a iniciativa de trazer a debate na sociedade o tema de estabilidade democrática, um documento elaborado desde março e remetido ao chefe de Estado angolano.

Segundo o líder da UNITA, o documento chegou a ter outros nomes ao longo do tempo em que foi sendo aprofundado o conteúdo, mas hoje é ponto assente que "a relevância do nome não é o mais importante", mas sim "os conteúdos do documento em si próprio".

A audiência concedida por iniciativa de João Lourenço visou abordar o Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional, salientou o lider da UNITA.

"Deixou-me satisfeito e tivemos de facto a oportunidade de nos debruçarmos com bastante profundidade ao debate dos conteúdos deste documento e este é um elemento que é positivo para o país", destacou.

De acordo com Adalberto Costa Júnior, a UNITA entende que o país precisa de, através dos seus atores, passar para fora a imagem e a prática de que os angolanos sabem dialogar em permanência, que é preciso "retirar os medos que ainda existem na sociedade de que o processo eleitoral deve ser abordado sem risco do dia pós-eleitoral, onde quem estiver hoje a participar não deve ter receio, mesmo ocorrendo a alternância (...) do dia de amanhä".

"A sociedade cada vez que aborda eleições, aborda-as com preocupação e esta é uma realidade partilhada dentro e fora do pais", referiu.

Para Adalberto Costa Júnior, "Angola precisa efetivamente de um melhor ambiente político, de um elemento de aprofundamento democrático", de algo para uma melhor abordagem de um processo que nos outros países é regular, é normal, mas que para os angolanos ainda não é.

A alternância do poder político em Angola nunca aconteceu, frisou Adalberto Costa Júnior, sublinhando que, por isso, "ainda é um problema abordar esse tipo de cenários e de ambiente".

Neste diálogo de estabilidade consta também a preocupação sobre a absoluta necessidade de haver no processo eleitoral uma observação internacional presente, "que não tem sido comum".

"Não é consensual esta posição, (...) temos apenas convidado quem é conveniente, não convidamos quem é independente no seu posicionamento, esta é uma realidade", vincou.

A UNITA não está preocupada em liderar este debate, sublinhou Adalberto Costa Júnior, considerando que a liderança pode ser feita por quem ofereça confiança para o poder fazer. Contudo, o facto de hoje se abordar o assunto "é uma grande conquista", acrescentou.

"Saio daqui certamente com a satisfação de ver que há uma dinâmica, efetivamente com perspetivas positivas", frisou.

O Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional é uma proposta politica da UNITA, entregue à Presidência da República em abril deste ano, que entre os seus temas integra aspetos de revisão, de reformas, de algumas leis necessárias "que tragam a realização do pais nos níveis de desenvolvimento".

"Não se exclui neste documento a possibilidade de nós criarmos condições do debate para um processo posterior de reforma da Constituição, também é um dos elementos que está inerente a este conteúdo", disse o político.

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