João Lourenço, que discursava, em Luanda, na cerimónia de cumprimentos de ano novo apresentado pelo corpo diplomático acreditado em Angola, considerou um "caso inédito na história dos processos eleitorais em África" o facto de "nunca os verdadeiros resultados eleitorais" na Guiné-Bissau terem sido tornados públicos.
O chefe de Estado angolano exigiu também a libertação incondicional do Presidente deposto por um golpe de Estado no Níger, Mohamed Bazoum, detido desde 2023.
Na sua intervenção, João Lourenço frisou que, face à recorrência de golpes de Estado no continente africano, impõe-se cada vez mais a necessidade de se reforçarem as medidas de desencorajamento e condenação destas práticas "reprováveis a todos os títulos".
"Aproveitamos esta ocasião para exigir a libertação incondicional do Presidente Mohamed Bazoum, deposto por um golpe de Estado no Níger, assim como de Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC da Guiné-Bissau, país que realizou recentemente eleições, mas que, num caso inédito na história dos processos eleitorais em África, nunca os verdadeiros resultados eleitorais foram tornados públicos", disse.
O também presidente em exercício da União Africana destacou que, estando no fim do seu mandato, continua por alcançar o objetivo de se pôr fim aos conflitos armados no continente, o que obriga a continuar a envidar esforços para realizar "o sonho do silenciar das armas em África".
"Estamos a chegar ao fim da presidência rotativa da União Africana, que assumi em fevereiro do ano transacto, com o compromisso de me empenhar na promoção da paz, da segurança e da estabilidade em África, sem os quais o continente africano não conseguirá realizar plenamente os seus objetivos de desenvolvimento", disse.
João Lourenço salientou que não regateou, "em momento algum, nos esforços no sentido de contribuir para a solução dos conflitos no continente", destacando os que assolam o Sudão e a República Democrática do Congo e encorajando as autoridades governamentais e sociedade civil congolesas a realizarem o diálogo intercongolês "sem mais demoras".
Para João Lourenço, 2025 foi um ano de várias realizações, que projetaram Angola internacionalmente, marcado não só pela celebração do jubileu dos 50 anos da independência nacional como também por assumir, pela primeira vez, na história recente, a presidência rotativa da União Africana.
Segundo João Lourenço, Angola tem exercido esta responsabilidade num contexto particularmente exigente e de grande complexidade, caracterizado por conflitos persistentes em várias regiões africanas e do mundo, instabilidade política, recorrência de golpes de Estado e recuos democráticos em muitas zonas de África, crises sanitárias e económicas graves, desafios climáticos e energéticos e um preocupante enfraquecimento dos mecanismos tradicionais de diálogo e cooperação internacional.
Em 2025, destacou João Lourenço, Angola, em representação de África, procurou afirmar a voz do continente nos principais fóruns de governação global, com destaque para a Cimeira do G20, na África do Sul, o TICAD, no Japão, a Cimeira União Africana-União Europeia, em Luanda, a quarta conferência internacional sobre financiamento e desenvolvimento, realizada em Sevilha, Espanha, e a participação na 80.ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
"Nos diferentes eventos em que participámos defendemos posições que podem contribuir para a reforma da arquitetura financeira internacional, para um acesso mais justo ao financiamento para o desenvolvimento, na busca de soluções sustentáveis para a dívida e uma reposta equilibrada aos choques globais que afetam desproporcionalmente os países em desenvolvimento", enfatizou.





