António Venâncio denuncia obstáculos à candidatura e admite deixar o MPLA

Post by: 16 Junho, 2026

O pré-candidato à presidência do MPLA, António Venâncio, denunciou esta terça-feira alegadas irregularidades e dificuldades no processo de preparação do 9.º Congresso Ordinário do partido, acusando a direcção de não garantir igualdade de tratamento entre os concorrentes e admitindo, pela primeira vez, a possibilidade de integrar outra formação política caso a sua candidatura não avance.

Em conferência de imprensa realizada em Luanda, António Venâncio afirmou que o seu principal objectivo não é a conquista da liderança do partido, mas sim a participação activa na resolução dos problemas que afectam os angolanos.

“Não estou a lutar para ser presidente do MPLA. Estou a lutar para ajudar os angolanos que enfrentam problemas de vária ordem. Os interesses da Nação estão em primeiro lugar”, declarou.

O político criticou igualmente o facto de a comissão preparatória do congresso continuar a ser liderada pelo actual presidente do MPLA, João Lourenço, que já manifestou a intenção de se recandidatar à liderança do partido sem abdicar daquela função.

Segundo António Venâncio, o processo tem sido marcado por alterações consideradas irregulares, nomeadamente mudanças na calendarização dos procedimentos de validação das candidaturas e dos respectivos métodos de confirmação.

“Fomos obrigados a manter correspondência institucional com a subcomissão de candidaturas e com a Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria do partido para que sejam introduzidas as correcções devidas”, afirmou.

O pré-candidato disse esperar que a direcção do MPLA assegure um tratamento equitativo a todos os concorrentes e evite práticas que possam beneficiar qualquer dos pretendentes ao cargo.

Queixas já foram remetidas aos órgãos internos

António Venâncio revelou que as alegadas irregularidades foram formalmente comunicadas às estruturas competentes do partido, aguardando agora por uma resposta.

Segundo o político, a ausência de decisões poderá levar o processo para outras instâncias, incluindo o Tribunal Constitucional.

“À medida que o silêncio se faz sentir, as portas do Tribunal Constitucional vão-se abrindo cada vez mais para atender as reclamações”, advertiu.

Equipa denuncia ameaças e aumento dos custos

Durante a conferência de imprensa, o pré-candidato referiu ainda que a equipa encarregue da recolha de subscrições junto dos militantes enfrenta dificuldades crescentes no terreno.

De acordo com António Venâncio, membros da sua estrutura têm sido alvo de alegadas ameaças de morte, situação que já terá sido participada às autoridades competentes.

O político afirmou que, apesar de terem decorrido mais de 30 dias desde a apresentação das denúncias, ainda não foi obtida qualquer resposta das instituições judiciais.

Paralelamente, apontou constrangimentos de natureza organizativa e psicológica, sustentando que muitos militantes continuam receosos de apoiar publicamente candidaturas alternativas à liderança do partido.

“Ainda existem receios e medos em subscrever candidaturas. Foi sempre assim em mais de 50 anos e 16 congressos”, declarou.

António Venâncio acrescentou que as dificuldades enfrentadas pela sua candidatura tiveram impacto financeiro significativo, elevando os custos das operações de mobilização para mais de 106 milhões de kwanzas.

Possibilidade de integrar outra força política

Questionado sobre o seu futuro político, António Venâncio admitiu que poderá continuar a sua intervenção na vida pública fora do MPLA, caso as suas propostas não encontrem espaço dentro do partido.

“A minha participação para melhorar Angola é incondicional. No partido ou fora do partido, quero contribuir para melhorar a vida dos angolanos”, afirmou.

O pré-candidato sublinhou ainda que a democratização interna do MPLA constitui um factor determinante para a consolidação democrática do país, defendendo que o partido no poder deve dar o exemplo em matéria de pluralismo e participação política.

Para António Venâncio, o processo de democratização de Angola continuará a enfrentar riscos enquanto o MPLA não aprofundar os seus próprios mecanismos internos de participação e competição política.

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