Código de imposto sobre rendimentos de singulares aprovado sob divergências

Post by: 25 Junho, 2026

O parlamento angolano aprovou hoje em votação final a proposta de Lei do Código de Imposto sobre Rendimentos das Pessoas Singulares (IRPS), que para o MPLA (poder) fortalece a justiça social, enquanto para a UNITA (oposição) "é inconstitucional".

A iniciativa legislativa do Presidente angolano, João Lourenço, que estabelece isenções de tributação aos rendimentos do trabalho dependente de até 105 mil kwanzas (101 euros), foi aprovada hoje pelo plenário da Assembleia Nacional apenas com votos favoráveis do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder).

O IRPS foi aprovado em votação final e global com 101 votos a favor do MPLA, 66 votos contra da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição) e do Partido de Renovação Social (PRS, oposição) e duas abstenções.

O imposto abrange todos os rendimentos obtidos pelos sujeitos passivos, quer se trate de rendimentos em dinheiro ou espécie, independentemente do ato que lhes de origem, do local onde se obtenham, a moeda e a forma pela qual sejam auferidos.

Rendimentos do trabalho dependente, empresariais e profissionais, de capitais, prediais e incrementos patrimoniais constituem as categorias de incidência do referido imposto.

Com uma tributação em rendimentos acima dos 105 mil kwanzas, o diploma gerou um debate aceso e posições divergentes na reunião plenária, que decorre hoje na sede do parlamento, em Luanda.

Para o deputado do PRS Benedito Daniel, que votou contra, as percentagens das taxas estabelecidas nas diferentes categorias deveriam ser mínimas ou razoáveis, "tendo em conta que é uma situação massiva que irá abranger a maior parte dos cidadãos".

"As percentagens aqui propostas são excessivas e poderão trazer dificuldades para os cidadãos. O nosso voto não contesta a cobrança de imposto, contesta sim as percentagens estabelecidas, que achamos excessivamente exageradas", argumentou, na sua declaração de voto.

Para o deputado da UNITA Faustino Mumbika, o documento visa, na prática, aumentar a pressão financeira sobre o bolso dos trabalhadores e das famílias.

De acordo com o político, estabelecer imposto a rendimentos empresariais e profissionais, na taxa de 10%, para quem a produção ultrapassar 150 mil kwanzas (144 euros), "fica óbvio que a maioria dos jovens e mulheres que lutam pela sobrevivência vão pagar impostos".

"Pretender que a administração tributária aceda ao resumo financeiro anual da conta do cidadão eleva o risco de tributar receita, o que é grave (...). A lei, além de inconstitucional, encobre de forma subtil o levantamento do sigilo bancário", argumentou Faustino Mumbika.

A declaração política de voto favorável do MPLA ao IRPS foi apresentada pelo deputado Raul Lima, para quem a reforma na tributação é um passo importante no processo de modernização do Estado, no fortalecimento da justiça fiscal e na consolidação de uma economia mais dinâmica e competitiva.

Com esta iniciativa, salientou o deputado, o Estado angolano "dá mais um passo na construção de um sistema tributário moderno, simples, justo, transparente e equilibrado, capaz de proteger os rendimentos mais baixos e promover a formalização da economia".

As autoridades angolanas, no relatório de fundamentação da lei, sustentam que a adoção de um imposto único sobre a tributação dos rendimentos das pessoas singulares representa um "avanço e um salto qualitativo no dominio do sistema fiscal, com soluções legislativas que contribuem para a melhoria do sistema".

Estão sujeitas ao IRPS as pessoas singulares residentes no território angolano, bem como os não residentes que nele obtenham rendimentos.

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