O consultor de investimentos assinalou que o mercado acionista angolano cresceu nos últimos anos, passando de duas empresas cotadas em 2022 para cinco, na atualidade, com volumes de negociação consideráveis.
"Já conseguimos ver movimentações de mil milhões de kwanzas [934 mil euros] num dia no mercado de capitais, exclusivamente no mercado da ação", destacou, considerando tratar-se de um sinal de maior dinamismo.
Ainda assim, o analista sublinhou que a bolsa permanece centrada em Obrigações do Tesouro e títulos de dívida pública, que representam mais de 98% das negociações.
Segundo Silveira Nunda, o principal problema do mercado reside no baixo "free float", ou seja, nas ações que se encontram efetivamente em circulação e disponíveis para negociação.
O analista exemplificou que, das 15 milhões de ações do BFA em circulação, mais de metade está detida por investidores-chave que não pretendem vender, enquanto no Banco Angolano de Investimentos (BAI) menos de 15% dos 19,45 milhões de ações é efetivamente transacionado.
"É um mercado que acaba não sendo líquido do ponto de vista da dinâmica do mercado", justamente porque as ações em circulação não estão todas disponíveis, afirmou, apontando uma rotação de ações abaixo de 1%.
O analista considerou que a entrada da Unitel vai ampliar essa dinâmica, por se tratar da primeira empresa da economia real, no setor das telecomunicações, num mercado até agora concentrado no setor financeiro.
"Não se pode medir a economia através do mercado de capitais olhando exclusivamente para um único setor", afirmou.
Silveira Nunda antecipou ainda a possível admissão em bolsa de outras empresas previstas no Programa de Privatizações (Propriv), esperando-se ainda em 2026 a entrada do Standard Bank e, mais tarde, da Sonangol.
O analista defendeu que o alargamento dos títulos disponíveis pode atrair o interesse de investidores privados em abrir o capital, desde que cumpram os requisitos do regulador, como auditorias e resultados consistentes nos últimos cinco anos.
O mercado de capitais angolano registou em 2025 um total negociado na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) de 5.726.467 milhões de kwanzas (cerca de 5,35 mil milhões de euros), uma redução de 5,4% face a 2024, segundo dados da consultora Eaglestone.
De acordo com a mesma análise, a atividade manteve-se fortemente concentrada em instrumentos do Estado e correspondeu a 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB), "evidenciando a ainda limitada profundidade do mercado".





