Especialistas pedem valorização local e potenciar indústria petrolífera angolana

Post by: 29 Agosto, 2025

Gestores e especialistas defenderem hoje, no Angola Economic Fórum (AEF2025) “maior valorização” do conteúdo local para potenciar a indústria petrolífera angolana, que gera anualmente biliões de dólares, mas grande parte das receitas não ficam no país.

“50 Anos da Indústria Petrolífera Pós-Independência: Bênção ou Maldição?” foi o tema do painel em que este oradores participaram e pediram mais atenção e valorização às empresas locais dedicadas à exploração de petróleo e à prestação de serviços no setor.

Patrício Quingongo, diretor executivo da PetroAngola – empresa angolana de consultoria especializada em petróleo e gás e coorganizadora do AEF, considera que Angola passou a ser “petrodependente” desde 1973 e este recurso tem sido até hoje o principal motor da economia angolana.

A avaliação da indústria petrolífera angolana em 50 anos de independência e a sua contribuição no país surge, argumentou, face aos principais desafios que ainda existem e como os seus operadores podem continuar a usar a sua robustez para transformá-la em desenvolvimento socioeconómico.

“O maior desafio [da indústria petrolífera angolana] é mesmo a questão do conteúdo local, estamos a falar que a indústria cresceu, gerou mais de 700 biliões de dólares para o país nos últimos anos, mas de facto esse dinheiro não ficou retido aqui em Angola”, afirmou Patrício Quingongo.

Hoje “a discussão é que em cada dólar que é investido no setor petrolífero, quanto é que fica aqui em Angola e que, de facto, qual é a participação dos angolanos nessa indústria, que é robusta e tem uma produção acima de um milhão de barris de petróleo por dia”, realçou.

“Então, este hoje é o principal problema da indústria petrolífera angolana, que gera receitas, mas esta é toda exportada porque os serviços e a produção não são feitos por empresas angolanas”, referiu o responsável.

Quingongo considerou ainda que ter recursos “nunca é uma maldição” porque os países “lutam pelos recursos e nós temos. Agora, a forma como nós gerimos esses recursos ou as receitas aí sim é um problema e é aí onde temos de atacar, ou seja, melhorar a gestão a má gestão e os índices de boa governação.

Mais atenção às empresas locais foi igualmente defendida por Jorge Morais, diretor geral da KAESO Energy Service (empresa angolana prestadora de serviço o setor petrolífero), referindo que o conteúdo local no setor petrolífero representa apenas 2% por “falta de confiança” dos clientes.

“Os nossos clientes potenciais, que são as empresas estrangeiras, operadores internacionais, prestadores de serviços internacionais, não confiam na nossa capacidade e qualidade de trabalho, porque, simplesmente, quem tem o dever de ter certeza de que quem opera neste setor são empresas qualificadas, não o faz”, criticou, aludindo às medidas e normas governamentais.

“Todo mundo entra. Resultado? Temos uma reputação péssima e não confiam em nós”, criticou Jorge Morais. Por sua vez, a especialista em contratos comerciais Oil & Gas, Yolanda Ramos, defendeu, na sua intervenção, que o petróleo não deve ser visto como uma bênção ou maldição em Angola, mas na perspetiva de como foi a sua gestão em meio século de independência

“Talvez o nosso foco seria a forma como foi gerida, a atenção que se deu à criação [da indústria petrolífera], da cadeia de valores, desde a extração à produção, refinação, sua distribuição, o conteúdo local, valorização do capital humanos, que é um tema sempre atual”, assinalou.

Last modified on Sexta, 29 Agosto 2025 20:03
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